Depois de um dia mais fraco, o oitavo dia de IndieLisboa foi de emoções fortes: uma história sobre a descoberta do amor («Ma Belle Gosse», de Shalimar Preuss), uma descida aos infernos na Indonésia («Act of Killing», de Joshua Oppenheimer) e as aventuras sexuais de uma mulher europeia à procura de amor numas férias no Quénia («Paradise: Love», de Ulrich Seidl).
«Ma Belle Gosse», um dos filmes presentes na competição internacional do IndieLisboa, marca a estreia de Shalimar Preuss na realização de longas metragens. É um filme sobre a descoberta do amor por parte de uma adolescente de 17 anos que mantém uma relação epistolar com um homem mais velho que se encontra preso. A acção decorre durante umas férias em família e a jovem Maden tenta a todo o custo esconder essa relação, que acaba eventualmente por ser descoberta pelas suas primas. Filmado sempre com a câmara à mão, seguimos a jovem e os seus companheiros de férias como se fossemos um deles, com especial foco na jovem protagonista e num dos seus primos, com quem partilha o segredo no início.
Ao contrário de algumas propostas mais arriscadas que costumam aparecer na competição oficial do festival, «Ma Belle Gosse» é uma antítese desse tipo de obras, tal a simplicidade com que Shalimar Preuss filma a história de Maden. E é essa simplicidade e falta de capacidade para arriscar que acaba por jogar contra o filme, que aos poucos se torna pouco mais do que algo banal, que vemos sem pensar muito no que estamos a ver. Precisava de um pouco mais de garra para nos cativar e tornar «Ma Belle Gosse» uma estreia mais auspiciosa, apesar de ser bastante competente no que pretende ser.
Classificação: 3/5
De uma história de amor, passamos para uma história de terror: o documentário «The Act of Killing», de Joshua Oppenheimer, um dos filmes mais difíceis de digerir nesta edição do IndieLisboa. Estávamos preparados para um filme forte, mas não estávamos de todo preparados para o que iria passar pelo grande ecrã durante as duas horas e meia de duração do documentário, que se debruça sobre o massacre dos comunistas na Indonésia nos anos 1965-1966, massacre esse que vitimou mais de um milhão de pessoas cujos autores continuam sem ser responsabilizados. Estes acontecimentos são relatados por vários dos responsáveis pelos massacres, entre os quais Anwar Congo, 'personagem' principal de «The Act of Killing», que na altura passou de pequeno criminoso local (cuja principal actividade era a venda de bilhetes de cinema na candonga) a um dos principais carrascos e responsável por um esquadrão da morte que matou um número indeterminado de pessoas com a cumplicidade das autoridades oficiais.
Ao longo do filme acompanhamos Anwar Congo e alguns dos seus companheiros da altura, alguns dos quais acabaram por se tornar homens de negócios bem sucedidos e governadores, todos com estatuto de heróis nacionais, na recriação dos acontecimentos que levaram ao massacre de mais de um milhão de pessoas. Para a execução desta recriação o realizador do documentário deu luz verde aos protagonistas para encenarem os acontecimentos como bem entendessem. E o resultado é uma espécie de making of dessas cenas para um suposto filme, cujas sequências acabam por ser mais chocantes do que as horríveis descrições que os protagonistas de «The Act of Killing» fazem dos seus actos ao longo do filme, pois roçam um certo surrealismo. Como o facto de numa dessas sequências um actual ministro indonésio participar na direcção da cena, como se fosse um realizador de cinema.
Apesar de toda a glorificação das suas acções no filme dentro do filme, o comportamento de Anwar Congo vai mudando um pouco ao longo de «The Act of Killing». Começando como um fanfarrão, que se gaba do que fez e como o fazia com total impunidade, e acabando como alguém com enormes sentimentos de culpa que se vai apercebendo de tudo o que fez à medida que recria os acontecimentos. Esse reconhecimento culmina numa das cenas mais difíceis de digerir em «The Act of Killing», quando o protagonista regressa ao terraço de casa, onde anteriormente já tinha exemplificado um dos métodos que utilizava para matar as vítimas. Mas o mal já estava feito e por mais fantasmas que o visitem à noite, os seus actos continuam impunes.
Mesmo sendo um dos melhores filmes passados nesta edição do IndieLisboa, o documentário de Joshua Oppenheimer não é fácil de se ver e prova como a banalização do mal consegue atingir níveis impensáveis. O facto de grande parte da ficha técnica do filme contar com inúmeros elementos anónimos denota que o tema, mesmo passados tantos anos, continua a ser polémico na Indonésia, onde os familiares das vítimas sabem que nada podem fazer contra os carrascos, que continuam protegidos pelas autoridades e ainda gozam com a simples possibilidade de um dia poderem vir a ser julgados em tribunais internacionais, como os criminosos de guerra nazis ou os autores dos genocídios no Ruanda. E pessoas como Anwar Congo continuam a ser vistos como 'heróis'.
Para ficar a conhecer um pouco mais sobre este projecto de Joshua Oppenheimer recomendo vivamente a visita ao site oficial do filme.
Classificação: 4/5
Para terminar o oitavo dia, depois de uma descida aos infernos, um regresso ao Paraíso de Ulrich Seidl para a última parte da trilogia «Paradise», desta vez com o primeiro capítulo da série, dedicado ao tema do Amor. Depois de nos mostrar a Fé de Anna Maria (protagonista de «Paradise: Faith») e a Esperança de Melanie (a personagem principal de «Paradise: Hope»), o cineasta austríaco leva-nos ao Quénia para acompanhar as férias de Teresa, irmã de Anna Maria e mãe de Melanie, que procura a todo o custo o Amor que (muito provavelmente) não encontra em casa, na sua Áustria natal, mas acaba por ter direito apenas a relações sexuais com diversos parceiros. Se de início a turista ocidental ainda quer acreditar que a sua primeira conquista está de facto apaixonada por ela, cedo se apercebe que o que o move é o dinheiro. E quando Teresa deixa de ter dinheiro para lhe pagar, este deixa de a 'amar'. A partir daqui Teresa deixa de ter fé no amor e todas as relações acabam por ser sexuais.
À semelhança do que constatáramos ao ver a terceira parte da trilogia (nota: apesar de lançados em alturas diferentes, os filmes não têm de ser vistos por ordem cronológica), também aqui ficamos com a sensação de que Seidl acaba por filmar o mesmo filme, mas com uma história diferente e com enfoque noutro tema. O que acaba por ser um pouco redutor, pois o efeito do primeiro filme acaba por ser perder aos poucos e acabamos por gostar mais de um ou outro determinado capítulo consoante a história ou o tema abordado. E «Paradise: Love» consegue estar ao nível de «Paradise: Faith», onde o olhar de Seidl volta a ser pouco simpático para as suas personagens (arriscamos mesmo dizer que o cineasta não tem qualquer pingo de amor pelas personagens dos seus filmes), sendo um filme que nos faz reflectir sobre coisas sérias a partir de tons de comédia negra. Como, aliás, provou ser todo o universo de Ulrich Seidl que nos trouxe o IndieLisboa este ano.
Classificação: 4/5
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sexta-feira, 26 de abril de 2013
quarta-feira, 24 de abril de 2013
IndieLisboa 2013, Dia 6: Um 'monstro' chamado Leviathan
O sexto dia de IndieLisboa ficou marcado por um dos acontecimentos do festival: «Leviathan», de Lucien Castaing-Taylor e Verena Paravel, um documentário experimental sobre a pesca em alto mar. Antes foi tempo de entrar nos quadros de Edward Hopper, através do olhar de Gustav Deutsch, realizador de «Shirley: Visions of Reality». O dia terminou com mais uma comédia seca (não confundir com secante) sobre questões sociais: «Workers», de José Luis Valle.
De certeza que muitos apreciadores de pintura já terão imaginado, ao olhar para os quadros dos seus pintores favoritos, o que vai na cabeça das 'personagens' representadas. É essa a proposta de Gustav Deutsch em «Shirley: Visions of Reality», um filme protagonizado por uma actriz e que tem como cenários diversos quadros de Edward Hopper (é fácil reconhecer a obra do pintor norte-americano, basta ver a imagem acima, tirada de um dos episódios de «Shirley...»). À partida o novo projecto do realizador de «Film ist a Girl & a Gun» teria tudo para dar um bom resultado.
E resulta, em alguns aspectos, como é o caso da composição dos planos e de uma excelente utilização dos cenários e cores, que fazem de facto lembrar os quadros de Edward Hopper. Ao vermos «Shirley...» temos a sensação de que estamos mesmo a ver os quadros do pintor em movimento. Aí não podemos apontar grandes falhas ao filme, sobretudo se gostarmos das obras de Hopper. O que já não resulta tão bem é o resto. A história de Shirley, interpretada por Stephanie Cumming num registo que por vezes parece demasiado teatral, que se nota mais nas cenas que contam com a presença de outras personagens, é demasiado vaga para preencher a imensidão dos quadros recriados. Uma oportunidade perdida para dar vida a um dos mais emblemáticos pintores do século XX, apesar de não deixar de ser uma obra curiosa.
Classificação: 3/5
Falar sobre «Leviathan» não é tarefa fácil. Apesar de ser considerado como um dos grandes acontecimentos do festival, o documentário realizado por Lucien Castaing-Taylor e Verena Paravel não fazia parte dos planos iniciais de visionamento, por ser um tipo de filme que não me atrai muito: um documentário experimental sobre pesca em alto mar. Mas depois do 'susto' apanhado com «Animal Love», de Ulrich Seidl, lá resolvemos arriscar e trocar a sessão de «Jesus, You Know» do austríaco por «Leviathan». E se a escolha de ver filmes em festivais por vezes é um risco, nunca sabemos bem ao que vamos em certos filmes, este foi um risco que valeu a pena correr.
«Leviathan» não é um filme fácil, mesmo enquanto documentário. Praticamente não tem falas, não há narrador, não há texto a complementar o que vamos ver a não ser um breve trecho bíblico no início do filme, tirado do livro de Job. A partir daqui somos transportados de imediato para alto mar e estamos por conta própria. Se há filmes que devem ser vistos em sala, «Leviathan» é um desses casos. Toda a experiência, tanto a nível visual como sonoro, ganha muito mais força neste contexto. Como alguém dizia no final da projecção, o único 'defeito' do filme é que é demasiado imersivo e poderá por vezes custar um bocado mais a 'aguentar'. É difícil recomendar um filme destes a alguém pois é também um filme que se vai gostar ou odiar. Se nos deixarmos levar pela experiência, sem grandes preconceitos, no final será gratificante, mesmo que continuemos durante algum tempo a matutar sobre o que vimos. Se, por outro lado, não gostarmos, o mais certo é amaldiçoarmos a hora em que entrámos naquele barco. Deste lado a viagem valeu a pena. Mas pelo sim, pelo não deixo uma recomendação à tripulação que decidir arriscar: antes do início da projecção tomem comprimidos para o enjoo.
Classificação: 4/5
Depois de um peso pesado como «Leviathan» a melhor opção foi seguir para uma comédia em tons sérios oriunda do México. «Workers», de José Luis Valle, é mais um dos exemplos de filmes de cariz social que integra a programação deste ano do IndieLisboa. Nele acompanhamos as andanças de Rafael (Jesus Padilla), o empregado de limpeza de uma grande multinacional a quem é negada a reforma porque está ilegal e não tratou dos papéis a tempo, e Lidia (Susana Salazar), empregada doméstica de uma milionária que irá receber parte da herança da patroa apenas quando morrer a sua cadela de estimação. Apesar de nunca se encontrarem, sabemos ao longo do filme que no passado houve uma ligação entre as duas personagens.
Não sendo uma grande obra-prima (e este ano ainda não encontrámos nenhuma no Indie, apesar de já nos termos deparado com muitas obras simpáticas e recomendáveis, como é o caso de «Workers»), esta primeira longa-metragem de José Luis Valle consegue ser uma boa estreia para o cineasta mexicano. Abordando temas sérios de forma leve, «Workers» tem os seus pontos altos nas sequências protagonizadas por Rafael, o empregado perfeito, que faz tudo certinho e cumpre horários até ao dia em que lhe negam os seus direitos. Estas sequências acabam por ser uma crítica à forma como são tratados os trabalhadores em algumas situações. E não há como não estar do lado dele nas duas reuniões com a entidade patronal, que culminam com uma bofetada de luva branca, cerca de dez anos depois daquele que seria o primeiro dia da sua reforma.
Já a história de Lidia acaba por destoar um bocado do resto do filme, sendo mais cómica e com alguns momentos que caem num certo absurdo a partir do momento em que a patroa morre e os empregados que trabalhavam para ela têm de continuar a cuidar do seu animal de estimação para que possam vir a receber parte da herança. Acaba por ser um outro lado da moeda de «Workers», mas menos conseguido, pois ambos podiam ser filmes diferentes. E se fossem, o filme protagonizado por Rafael (mais uma excelente personagem que vai ficar na memória desta edição do festival) é bem melhor.
Classificação: 3/5
De certeza que muitos apreciadores de pintura já terão imaginado, ao olhar para os quadros dos seus pintores favoritos, o que vai na cabeça das 'personagens' representadas. É essa a proposta de Gustav Deutsch em «Shirley: Visions of Reality», um filme protagonizado por uma actriz e que tem como cenários diversos quadros de Edward Hopper (é fácil reconhecer a obra do pintor norte-americano, basta ver a imagem acima, tirada de um dos episódios de «Shirley...»). À partida o novo projecto do realizador de «Film ist a Girl & a Gun» teria tudo para dar um bom resultado.
E resulta, em alguns aspectos, como é o caso da composição dos planos e de uma excelente utilização dos cenários e cores, que fazem de facto lembrar os quadros de Edward Hopper. Ao vermos «Shirley...» temos a sensação de que estamos mesmo a ver os quadros do pintor em movimento. Aí não podemos apontar grandes falhas ao filme, sobretudo se gostarmos das obras de Hopper. O que já não resulta tão bem é o resto. A história de Shirley, interpretada por Stephanie Cumming num registo que por vezes parece demasiado teatral, que se nota mais nas cenas que contam com a presença de outras personagens, é demasiado vaga para preencher a imensidão dos quadros recriados. Uma oportunidade perdida para dar vida a um dos mais emblemáticos pintores do século XX, apesar de não deixar de ser uma obra curiosa.
Classificação: 3/5
Falar sobre «Leviathan» não é tarefa fácil. Apesar de ser considerado como um dos grandes acontecimentos do festival, o documentário realizado por Lucien Castaing-Taylor e Verena Paravel não fazia parte dos planos iniciais de visionamento, por ser um tipo de filme que não me atrai muito: um documentário experimental sobre pesca em alto mar. Mas depois do 'susto' apanhado com «Animal Love», de Ulrich Seidl, lá resolvemos arriscar e trocar a sessão de «Jesus, You Know» do austríaco por «Leviathan». E se a escolha de ver filmes em festivais por vezes é um risco, nunca sabemos bem ao que vamos em certos filmes, este foi um risco que valeu a pena correr.
«Leviathan» não é um filme fácil, mesmo enquanto documentário. Praticamente não tem falas, não há narrador, não há texto a complementar o que vamos ver a não ser um breve trecho bíblico no início do filme, tirado do livro de Job. A partir daqui somos transportados de imediato para alto mar e estamos por conta própria. Se há filmes que devem ser vistos em sala, «Leviathan» é um desses casos. Toda a experiência, tanto a nível visual como sonoro, ganha muito mais força neste contexto. Como alguém dizia no final da projecção, o único 'defeito' do filme é que é demasiado imersivo e poderá por vezes custar um bocado mais a 'aguentar'. É difícil recomendar um filme destes a alguém pois é também um filme que se vai gostar ou odiar. Se nos deixarmos levar pela experiência, sem grandes preconceitos, no final será gratificante, mesmo que continuemos durante algum tempo a matutar sobre o que vimos. Se, por outro lado, não gostarmos, o mais certo é amaldiçoarmos a hora em que entrámos naquele barco. Deste lado a viagem valeu a pena. Mas pelo sim, pelo não deixo uma recomendação à tripulação que decidir arriscar: antes do início da projecção tomem comprimidos para o enjoo.
Classificação: 4/5
Depois de um peso pesado como «Leviathan» a melhor opção foi seguir para uma comédia em tons sérios oriunda do México. «Workers», de José Luis Valle, é mais um dos exemplos de filmes de cariz social que integra a programação deste ano do IndieLisboa. Nele acompanhamos as andanças de Rafael (Jesus Padilla), o empregado de limpeza de uma grande multinacional a quem é negada a reforma porque está ilegal e não tratou dos papéis a tempo, e Lidia (Susana Salazar), empregada doméstica de uma milionária que irá receber parte da herança da patroa apenas quando morrer a sua cadela de estimação. Apesar de nunca se encontrarem, sabemos ao longo do filme que no passado houve uma ligação entre as duas personagens.
Não sendo uma grande obra-prima (e este ano ainda não encontrámos nenhuma no Indie, apesar de já nos termos deparado com muitas obras simpáticas e recomendáveis, como é o caso de «Workers»), esta primeira longa-metragem de José Luis Valle consegue ser uma boa estreia para o cineasta mexicano. Abordando temas sérios de forma leve, «Workers» tem os seus pontos altos nas sequências protagonizadas por Rafael, o empregado perfeito, que faz tudo certinho e cumpre horários até ao dia em que lhe negam os seus direitos. Estas sequências acabam por ser uma crítica à forma como são tratados os trabalhadores em algumas situações. E não há como não estar do lado dele nas duas reuniões com a entidade patronal, que culminam com uma bofetada de luva branca, cerca de dez anos depois daquele que seria o primeiro dia da sua reforma.
Já a história de Lidia acaba por destoar um bocado do resto do filme, sendo mais cómica e com alguns momentos que caem num certo absurdo a partir do momento em que a patroa morre e os empregados que trabalhavam para ela têm de continuar a cuidar do seu animal de estimação para que possam vir a receber parte da herança. Acaba por ser um outro lado da moeda de «Workers», mas menos conseguido, pois ambos podiam ser filmes diferentes. E se fossem, o filme protagonizado por Rafael (mais uma excelente personagem que vai ficar na memória desta edição do festival) é bem melhor.
Classificação: 3/5
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segunda-feira, 22 de abril de 2013
IndieLisboa 2013, Dia 4: Da Maternidade filipina à Esperança austríaca
O quarto dia de IndieLisboa trouxe-nos um regresso aguardado (Brillante Mendoza com «Thy Womb»), um exemplo da vitalidade do cinema romeno («Rocker», de Marian Crisan) e mais um capítulo da trilogia Paradise do austríaco Ulrich Seidl («Paradise: Hope»).
O mais recente filme de Brillante Mendoza chega ao IndieLisboa quando ainda podemos ver em sala o seu anterior «Cativos», um filme que desilude tendo em conta aquilo que o cineasta filipino nos mostrou em obras anteriores, como foi o caso do excelente «Lola». «Thy Womb» não se aproxima tanto desse filme protagonizado por Isabelle Huppert (analisado aqui), mas mais de «Lola», apesar de ser um tema um pouco diferente. Em «Thy Womb» o cineasta filipino acompanha um casal cuja mulher é infértil à procura de uma nova esposa para o marido, para que dessa forma possam cumprir o sonho de poderem ter um filho.
Não estando à altura de «Lola», esta obra de Brillante Mendoza acaba por marcar um regresso ao que ele fez com esse filme, o primeiro da sua obra que chegou a estrear comercialmente a Portugal. Partindo de uma história enraizada na cultura local, «Thy Womb» apresenta-nos belíssimas imagens da paisagem filipina (algumas a fazer lembrar precisamente «Lola») e de algumas tradições locais, ao mesmo tempo que acompanhamos a 'saga' do casal. Esse é um dos pontos fortes do filme, sempre filmado com o mesmo estilo de câmara à mão tão caro a Mendoza, que acaba por compensar um argumento onde a história não tem a força que poderia ter tendo em conta a premissa. Sobretudo a partir do momento em que o marido é colocado perante um dilema complicado (contá-lo seria estragar a surpresa do filme) cujo desenlace terá consequências duras para o casal. Mesmo assim não deixa de ser uma agradável surpresa constatar que o realizador não se deixou levar pelos excessos de «Cativos» e soube regressar às origens.
Classificação: 3/5
Outro dos filmes bastante aguardados por estes lados era «Rocker», o único representante do cinema romeno na edição deste ano do IndieLisboa. Realizado por Marian Crisan, que apresentou há uns anos no festival a sua primeira longa-metragem («Morgen»), «Rocker» é a história de Victor, o pai do vocalista de uma banda de rock à procura de fama que faz tudo para ajudar o filho toxicodependente. Esta segunda obra de Marian Crisan é mais um exemplo do bom cinema que se tem feito na Roménia nos últimos anos, assente num realismo social bastante forte, apesar de estar longe da qualidade de títulos mais consagrados, como «A Morte do Senhor Lazarescu» ou «Quatro Meses, Três Semanas e Dois Dias», para referir apenas dois bons exemplos.
Contudo, apesar de alguns bons pormenores, «Rocker» não faz parte do mesmo campeonato do melhor que se fez na Roménia ultimamente e que foi alvo de uma homenagem há uns anos no Indie. Faz lembrar um outro filme que já assistimos este ano no festival, o norte-americano «Francine». Aqui em vez de acompanharmos uma ex-presidiária à procura de regressar à normalidade, temos um pai a tentar ajudar um filho. Todo o filme é centrado na personagem de Victor, numa excelente interpretação a cargo de Dan Chiorean, alguém que está à beira de explodir e acaba por fazê-lo apenas no último momento para depois voltar a estar ao lado do filho e ajudá-lo quando é preciso. E o olhar desencantado de Victor no plano final de «Rocker» acaba por fazer eco com o olhar de Francine no final de «Francine». Falta esperança a estas personagens, mas a Roménia continua a provar que tem muito para dar ao Cinema, mesmo quando produz obras que não são tão boas como outras que já foram apresentadas no passado.
Classificação: 3/5
O final do quarto dia de Indie ficou reservado para mais um capítulo da trilogia Paradise, de Ulrich Seidl, desta vez dedicado ao tema da Esperança e protagonizado por Melanie (Melanie Lenz), a filha de Teresa (protagonista de «Paradise: Love») e sobrinha de Anna Maria (protagonista de «Paradise: Faith»). Neste capítulo acompanhamos a adolescente Melanie durante a estadia num campo de emagrecimento, onde a jovem vai travar conhecimento com novas amigas e a maior parte das conversas acaba por ir parar ao tema
do sexo e a partilha de experiências. Aos poucos Melanie começa a aproximar-se de um dos médicos do campo por quem acaba por se apaixonar. A relação entre ambos vai evoluindo até que o médico acaba por se aproveitar da jovem. Seidl não mostra o que realmente se passou entre os dois em dois momentos em que ambos estão isolados, mas dá a entender que algo de pouco inocente se passou nesses momentos.
Em «Paradise: Hope» voltamos ao mesmo território de «Paradise: Faith»: uma comédia negra sobre um tema forte, que nos faz rir com coisas sérias, filmada através do olhar pouco inocente de Ulrich Seidl. Os planos utilizados são semelhantes, bem filmados e certinhos, criando quase que quadros protagonizados pelas personagens, e a fotografia recorre aos mesmos tons que já tínhamos visto em «Paradise: Faith». E uma vez mais o cineasta austríaco torna-nos voyeurs de uma determinada situação. Nada de novo em relação ao capítulo anterior da trilogia, apenas uma transgressão um pouco mais difícil de engolir pois apesar de o tema ser a Esperança (Melanie procura sempre algo melhor do que tem nas situações que enfrenta ao longo do filme), o filme foca também um tema mais complicado de aceitar como é o caso dos abusos contra menores, no caso contra uma jovem inadaptada, com problemas em relação a si própria e em casa (é das poucas que não consegue falar com os pais na chamada hora do telemóvel) que acaba por se apaixonar por alguém que pensa ser o amor da sua vida e apenas vai ser alguém que se aproveita dela e se afasta no final. Provavelmente será a primeira grande desilusão amorosa da adolescente. E o que é a destruição de símbolos religiosos vista em «Paradise: Faith» em comparação com a história de Melanie? É a questão (e, gostemos ou não, são muitas as questões que a obra de Seidl nos coloca) que nos deixa o cineasta quando arranca o genérico final de «Paradise: Hope».
Classificação: 3/5
O mais recente filme de Brillante Mendoza chega ao IndieLisboa quando ainda podemos ver em sala o seu anterior «Cativos», um filme que desilude tendo em conta aquilo que o cineasta filipino nos mostrou em obras anteriores, como foi o caso do excelente «Lola». «Thy Womb» não se aproxima tanto desse filme protagonizado por Isabelle Huppert (analisado aqui), mas mais de «Lola», apesar de ser um tema um pouco diferente. Em «Thy Womb» o cineasta filipino acompanha um casal cuja mulher é infértil à procura de uma nova esposa para o marido, para que dessa forma possam cumprir o sonho de poderem ter um filho.
Não estando à altura de «Lola», esta obra de Brillante Mendoza acaba por marcar um regresso ao que ele fez com esse filme, o primeiro da sua obra que chegou a estrear comercialmente a Portugal. Partindo de uma história enraizada na cultura local, «Thy Womb» apresenta-nos belíssimas imagens da paisagem filipina (algumas a fazer lembrar precisamente «Lola») e de algumas tradições locais, ao mesmo tempo que acompanhamos a 'saga' do casal. Esse é um dos pontos fortes do filme, sempre filmado com o mesmo estilo de câmara à mão tão caro a Mendoza, que acaba por compensar um argumento onde a história não tem a força que poderia ter tendo em conta a premissa. Sobretudo a partir do momento em que o marido é colocado perante um dilema complicado (contá-lo seria estragar a surpresa do filme) cujo desenlace terá consequências duras para o casal. Mesmo assim não deixa de ser uma agradável surpresa constatar que o realizador não se deixou levar pelos excessos de «Cativos» e soube regressar às origens.
Classificação: 3/5
Outro dos filmes bastante aguardados por estes lados era «Rocker», o único representante do cinema romeno na edição deste ano do IndieLisboa. Realizado por Marian Crisan, que apresentou há uns anos no festival a sua primeira longa-metragem («Morgen»), «Rocker» é a história de Victor, o pai do vocalista de uma banda de rock à procura de fama que faz tudo para ajudar o filho toxicodependente. Esta segunda obra de Marian Crisan é mais um exemplo do bom cinema que se tem feito na Roménia nos últimos anos, assente num realismo social bastante forte, apesar de estar longe da qualidade de títulos mais consagrados, como «A Morte do Senhor Lazarescu» ou «Quatro Meses, Três Semanas e Dois Dias», para referir apenas dois bons exemplos.
Contudo, apesar de alguns bons pormenores, «Rocker» não faz parte do mesmo campeonato do melhor que se fez na Roménia ultimamente e que foi alvo de uma homenagem há uns anos no Indie. Faz lembrar um outro filme que já assistimos este ano no festival, o norte-americano «Francine». Aqui em vez de acompanharmos uma ex-presidiária à procura de regressar à normalidade, temos um pai a tentar ajudar um filho. Todo o filme é centrado na personagem de Victor, numa excelente interpretação a cargo de Dan Chiorean, alguém que está à beira de explodir e acaba por fazê-lo apenas no último momento para depois voltar a estar ao lado do filho e ajudá-lo quando é preciso. E o olhar desencantado de Victor no plano final de «Rocker» acaba por fazer eco com o olhar de Francine no final de «Francine». Falta esperança a estas personagens, mas a Roménia continua a provar que tem muito para dar ao Cinema, mesmo quando produz obras que não são tão boas como outras que já foram apresentadas no passado.
Classificação: 3/5
O final do quarto dia de Indie ficou reservado para mais um capítulo da trilogia Paradise, de Ulrich Seidl, desta vez dedicado ao tema da Esperança e protagonizado por Melanie (Melanie Lenz), a filha de Teresa (protagonista de «Paradise: Love») e sobrinha de Anna Maria (protagonista de «Paradise: Faith»). Neste capítulo acompanhamos a adolescente Melanie durante a estadia num campo de emagrecimento, onde a jovem vai travar conhecimento com novas amigas e a maior parte das conversas acaba por ir parar ao tema
do sexo e a partilha de experiências. Aos poucos Melanie começa a aproximar-se de um dos médicos do campo por quem acaba por se apaixonar. A relação entre ambos vai evoluindo até que o médico acaba por se aproveitar da jovem. Seidl não mostra o que realmente se passou entre os dois em dois momentos em que ambos estão isolados, mas dá a entender que algo de pouco inocente se passou nesses momentos.
Em «Paradise: Hope» voltamos ao mesmo território de «Paradise: Faith»: uma comédia negra sobre um tema forte, que nos faz rir com coisas sérias, filmada através do olhar pouco inocente de Ulrich Seidl. Os planos utilizados são semelhantes, bem filmados e certinhos, criando quase que quadros protagonizados pelas personagens, e a fotografia recorre aos mesmos tons que já tínhamos visto em «Paradise: Faith». E uma vez mais o cineasta austríaco torna-nos voyeurs de uma determinada situação. Nada de novo em relação ao capítulo anterior da trilogia, apenas uma transgressão um pouco mais difícil de engolir pois apesar de o tema ser a Esperança (Melanie procura sempre algo melhor do que tem nas situações que enfrenta ao longo do filme), o filme foca também um tema mais complicado de aceitar como é o caso dos abusos contra menores, no caso contra uma jovem inadaptada, com problemas em relação a si própria e em casa (é das poucas que não consegue falar com os pais na chamada hora do telemóvel) que acaba por se apaixonar por alguém que pensa ser o amor da sua vida e apenas vai ser alguém que se aproveita dela e se afasta no final. Provavelmente será a primeira grande desilusão amorosa da adolescente. E o que é a destruição de símbolos religiosos vista em «Paradise: Faith» em comparação com a história de Melanie? É a questão (e, gostemos ou não, são muitas as questões que a obra de Seidl nos coloca) que nos deixa o cineasta quando arranca o genérico final de «Paradise: Hope».
Classificação: 3/5
domingo, 21 de abril de 2013
IndieLisboa 2013, Dia 3: Retratos no feminino e uma viagem de metro
O terceiro dia do IndieLisboa ficou marcado pelo sexo feminino, com o visionamento de três filmes centrados em personagens femininas («Francine», de Brian M. Cassidy e Melanie Shatzky, «Paradise: Faith», de Ulrich Seidl, e «Doméstica», de Gabriel Mascaro), e terminou numa longa viagem de metro entre Nova Iorque e Moscovo, guiada por Timo Novotny em «Trains of Thoughts».
Um dos grandes atractivos de «Francine», a estreia na ficção por parte da dupla Brian M. Cassidy e Melanie Shatzky, oriunda do universo do documentário, é a presença de Melissa Leo no elenco ao interpretar a Francine que dá título ao filme. Desde que a actriz entra em cena, no papel de uma ex-presidiária que tenta regressar à sociedade, praticamente nunca mais a vamos abandonar neste difícil regresso à normalidade. E, de facto, Melissa Leo toma completamente conta do filme numa espantosa interpretação que acaba por ser o ponto forte de «Francine». Se houvesse prémio para melhor interpretação feminina no Indie, a actriz de «Frozen Rivers» seria uma forte candidata à vitória, num daqueles casos em que não sabemos onde começa a actriz e a personagem, tal é a entrega de Melissa Leo ao filme. Pena que esta excelente interpretação não seja suficiente para tornar o filme um bocado mais do que apenas a história de alguém à procura de recuperar a vida numa pequena localidade onde tenta recomeçar de novo, através de empregos onde não se enquadra e com a ajuda de pessoas com quem se vai encontrando. Não sabemos o que a move, por que foi ali parar ou quais as ligações ao sítio onde vai parar. Francine merecia mais, mesmo sendo uma personagem com quem dificilmente consigamos estabelecer grandes laços.
Classificação: 3/5
Dos EUA seguimos para a Áustria de Ulrich Seidl. Depois dos dissabores provocados por «Animal Love» no segundo dia, entramos um pouco de pé atrás na Culturgest para assistir a «Paradise: Faith», o episódio do meio da trilogia Paradise, um dos pratos fortes do IndieLisboa em 2013. Se o documentário de Seidl foi um prato de difícil digestão, pelo contrário a ficção provou ser um pouco melhor. Talvez o problema de «Animal Love» tenha sido ter ido demasiado além, mostrando-nos imagens que se calhar não queríamos ver, mesmo sabendo que provavelmente existem, mas deviam ficar na privacidade daquelas pessoas. E a invasão da privacidade é outro conceito que podemos encontrar em «Paradise: Faith», pois entramos de rompante na casa de Anna Maria (Maria Hofstätter) para contar assistir à história de uma católica fervorosa, membro de uma espécie de exército de salvação nacional que pretende tornar a Áustria um país católico outra vez, que percorre as ruas da cidade onde vive para evangelizar a comunidade, ensinando as pessoas a rezar e a respeitarem Deus e a Virgem Maria. O regresso do marido, um muçulmano paraplégico, é visto pela protagonista como uma prova de fé e Anna Maria fará tudo para a aguentar.
Tal como em «Animal Love» o olhar de Seidl sobre as suas personagens não é um olhar inocente e o tom de comédia do filme acaba por vincar esse olhar tragicómico sobre a vida das personagens, que apesar de serem ficcionais, podiam existir na realidade. Desta vez o alvo do cineasta é a Religião e a Fé que leva os crentes, neste caso Anna Maria, e de certa forma o seu marido Nabil (Nabil Saleh), a fazerem tudo o que está ao seu alcance para defenderem as suas ideias. Anna Maria chega mesmo a ter uma relação com as imagens de Jesus Cristo quase tão forte e a roçar os limites de uma paixão carnal como a que muitos dos protagonistas de «Animal Love» têm com os seus animais de estimação. Mas, mesmo correndo o risco de caricaturizar em excesso as personagens e as situações, o que poderá acontecer mais no caso de Anna Maria, Seidl consegue evitar um certo desconforto provocado pelo seu olhar pouco apaixonado pelas suas personagens. Diríamos mesmo que Seidl não tem qualquer tipo de paixão pelas suas personagens.
Isso é alcançado graças ao tom de comédia do filme (apesar do tema sério em questão) e a duas boas interpretações, tanto a de Maria Hofstätter como de Nabil Saleh, e a um bom argumento que espelha bem as intenções do realizador: satirizar a Religião. Depois de uma má experiência com um documentário de Seidl, este filme de ficção ajudou-nos a recuperar a fé no seu trabalho e lá nos convenceu a visionar o resto da trilogia Paradise.
Classificação: 4/5
O serão foi reservado para dois documentários, o primeiro oriundo do Brasil. «Doméstica» foi um projecto idealizado por Gabriel Mascaro que resolveu entregar um conjunto de câmaras de filmar a crianças que têm empregadas domésticas em casa (num dos casos é um empregado doméstico) e pediu-lhes para filmar o dia-a-dia delas. Num país onde existem 7 milhões de empregadas domésticas, como referiu a produtora de «Doméstica» no início da projecção, não terá sido complicado a Gabriel Mascaro encontrar 'realizadores' para o empreendimento, ficando depois com a tarefa de montar as imagens enviadas em bruto. Mas se a premissa podia resultar em algo interessante, tal não é o que acontece.
Em vez de um retrato sobre profissionais que exercem uma determinada profissão, neste caso específico empregadas domésticas que em alguns casos são quase membros da família, «Doméstica» raramente vai muito além de uma série de filmes caseiros, com as câmaras a seguirem as empregadas domésticas nas suas tarefas ou em entrevistas bastante semelhantes onde estas relatam episódios de vida ou como vêem a família que as acolheu. Este pequeno pormenor faz com que a maior parte dos retratos seja parecida. Salvo raras excepções, todos os retratos são semelhantes, uns mais pretensiosos do que outros, e «Doméstica» fica-se por uma oportunidade perdida para mostrar a realidade das empregadas domésticas no Brasil filmada através do olhar de quem convive diariamente com elas e em alguns casos foi criada por elas.
Classificação: 2/5
No final do dia resolvemos apanhar o metro com Timo Novotny, membro da banda austríaca Sofa Surfers, realizador de «Trains of Thoughts». Apesar de ser mais conhecido pelas ligações à música, Novotny tem vindo a realizar algumas experiências na área da imagem e chegou mesmo a realizar um anterior documentário experimental («Life in Loops (A Megacities RMX)») a partir de imagens de «Megacities», documentário de Michael Glawogger. Em «Trains of Thoughts» o músico austríaco percorre a linha de metro de cinco cidades (Nova Iorque, Los Angeles, Tóquio, Hong Kong e Moscovo) e reflecte, com ajuda de habitantes locais, sobre o papel do metropolitano naquelas cidades e nas próprias pessoas.
O resultado é uma experiência visual interessante que nos mostra como um mesmo meio de transporte, praticamente igual em todas as cidades visitadas, é visto em cada um destes locais. Esta diferença entre os locais é reforçada através de vários elementos, seja o recurso a diferentes bandas sonoras, sempre em tons electrónicos, mas adequada a cada uma das cidades filmadas, seja a forma como os habitantes nos 'falam': por vezes em entrevista directa, como é o caso do metro de Los Angeles (um caso curioso, pois esta cidade norte-americana é conhecida por ser a cidade onde toda a gente tem carro), ou através de pequenos pensamentos, como acontece em Nova Iorque. E em cada uma das cidades, a forma como o metro é visto é sempre diferente.
Classificação: 4/5
Classificação: 3/5
Dos EUA seguimos para a Áustria de Ulrich Seidl. Depois dos dissabores provocados por «Animal Love» no segundo dia, entramos um pouco de pé atrás na Culturgest para assistir a «Paradise: Faith», o episódio do meio da trilogia Paradise, um dos pratos fortes do IndieLisboa em 2013. Se o documentário de Seidl foi um prato de difícil digestão, pelo contrário a ficção provou ser um pouco melhor. Talvez o problema de «Animal Love» tenha sido ter ido demasiado além, mostrando-nos imagens que se calhar não queríamos ver, mesmo sabendo que provavelmente existem, mas deviam ficar na privacidade daquelas pessoas. E a invasão da privacidade é outro conceito que podemos encontrar em «Paradise: Faith», pois entramos de rompante na casa de Anna Maria (Maria Hofstätter) para contar assistir à história de uma católica fervorosa, membro de uma espécie de exército de salvação nacional que pretende tornar a Áustria um país católico outra vez, que percorre as ruas da cidade onde vive para evangelizar a comunidade, ensinando as pessoas a rezar e a respeitarem Deus e a Virgem Maria. O regresso do marido, um muçulmano paraplégico, é visto pela protagonista como uma prova de fé e Anna Maria fará tudo para a aguentar.
Tal como em «Animal Love» o olhar de Seidl sobre as suas personagens não é um olhar inocente e o tom de comédia do filme acaba por vincar esse olhar tragicómico sobre a vida das personagens, que apesar de serem ficcionais, podiam existir na realidade. Desta vez o alvo do cineasta é a Religião e a Fé que leva os crentes, neste caso Anna Maria, e de certa forma o seu marido Nabil (Nabil Saleh), a fazerem tudo o que está ao seu alcance para defenderem as suas ideias. Anna Maria chega mesmo a ter uma relação com as imagens de Jesus Cristo quase tão forte e a roçar os limites de uma paixão carnal como a que muitos dos protagonistas de «Animal Love» têm com os seus animais de estimação. Mas, mesmo correndo o risco de caricaturizar em excesso as personagens e as situações, o que poderá acontecer mais no caso de Anna Maria, Seidl consegue evitar um certo desconforto provocado pelo seu olhar pouco apaixonado pelas suas personagens. Diríamos mesmo que Seidl não tem qualquer tipo de paixão pelas suas personagens.
Isso é alcançado graças ao tom de comédia do filme (apesar do tema sério em questão) e a duas boas interpretações, tanto a de Maria Hofstätter como de Nabil Saleh, e a um bom argumento que espelha bem as intenções do realizador: satirizar a Religião. Depois de uma má experiência com um documentário de Seidl, este filme de ficção ajudou-nos a recuperar a fé no seu trabalho e lá nos convenceu a visionar o resto da trilogia Paradise.
Classificação: 4/5
O serão foi reservado para dois documentários, o primeiro oriundo do Brasil. «Doméstica» foi um projecto idealizado por Gabriel Mascaro que resolveu entregar um conjunto de câmaras de filmar a crianças que têm empregadas domésticas em casa (num dos casos é um empregado doméstico) e pediu-lhes para filmar o dia-a-dia delas. Num país onde existem 7 milhões de empregadas domésticas, como referiu a produtora de «Doméstica» no início da projecção, não terá sido complicado a Gabriel Mascaro encontrar 'realizadores' para o empreendimento, ficando depois com a tarefa de montar as imagens enviadas em bruto. Mas se a premissa podia resultar em algo interessante, tal não é o que acontece.
Em vez de um retrato sobre profissionais que exercem uma determinada profissão, neste caso específico empregadas domésticas que em alguns casos são quase membros da família, «Doméstica» raramente vai muito além de uma série de filmes caseiros, com as câmaras a seguirem as empregadas domésticas nas suas tarefas ou em entrevistas bastante semelhantes onde estas relatam episódios de vida ou como vêem a família que as acolheu. Este pequeno pormenor faz com que a maior parte dos retratos seja parecida. Salvo raras excepções, todos os retratos são semelhantes, uns mais pretensiosos do que outros, e «Doméstica» fica-se por uma oportunidade perdida para mostrar a realidade das empregadas domésticas no Brasil filmada através do olhar de quem convive diariamente com elas e em alguns casos foi criada por elas.
Classificação: 2/5
No final do dia resolvemos apanhar o metro com Timo Novotny, membro da banda austríaca Sofa Surfers, realizador de «Trains of Thoughts». Apesar de ser mais conhecido pelas ligações à música, Novotny tem vindo a realizar algumas experiências na área da imagem e chegou mesmo a realizar um anterior documentário experimental («Life in Loops (A Megacities RMX)») a partir de imagens de «Megacities», documentário de Michael Glawogger. Em «Trains of Thoughts» o músico austríaco percorre a linha de metro de cinco cidades (Nova Iorque, Los Angeles, Tóquio, Hong Kong e Moscovo) e reflecte, com ajuda de habitantes locais, sobre o papel do metropolitano naquelas cidades e nas próprias pessoas.
O resultado é uma experiência visual interessante que nos mostra como um mesmo meio de transporte, praticamente igual em todas as cidades visitadas, é visto em cada um destes locais. Esta diferença entre os locais é reforçada através de vários elementos, seja o recurso a diferentes bandas sonoras, sempre em tons electrónicos, mas adequada a cada uma das cidades filmadas, seja a forma como os habitantes nos 'falam': por vezes em entrevista directa, como é o caso do metro de Los Angeles (um caso curioso, pois esta cidade norte-americana é conhecida por ser a cidade onde toda a gente tem carro), ou através de pequenos pensamentos, como acontece em Nova Iorque. E em cada uma das cidades, a forma como o metro é visto é sempre diferente.
Classificação: 4/5
Etiquetas:
Brian M. Cassidy,
Gabriel Mascaro,
IndieLisboa 2013,
Melanie Shatzky,
Melissa Leo,
Michael Glawogger,
Nabil Saleh,
Sofa Surfers,
Timo Novotny,
Ulrich Seidl
sábado, 20 de abril de 2013
IndieLisboa 2013, Dia 2: Herzog de regresso ao corredor da morte e uma estranha forma de amar
Ao segundo dia de IndieLisboa 2013 decidimos apostar no documentário com dois nomes fortes do cartaz do festival: Werner Herzog, que regressa ao corredor da morte norte-americano para contar a história de quatro condenados à morte nos EUA, e Ulrich Seidl, um dos cineastas em foco na presente edição do Indie. E apesar de partilharem o género documental, as semelhanças entre os dois filmes visionados («Death Row» e «Animal Love») terminam aqui, pois ambos não podiam ser mais diferentes no tema e na forma como abordam a realidade que nos querem mostrar. Enquanto o cineasta alemão opta por um método mais participativo, de questionar directamente os envolvidos na história que pretende contar, sejam os condenados, os familiares ou as pessoas ligadas à investigação e julgamento dos indivíduos retratados, Seidl prefere não intervir, deixando a câmara à solta para filmar os protagonistas, pessoas para quem os animais de estimação são a sua grande paixão, por vezes muito além da simples companhia.
Comecemos por «Death Row», onde o território percorrido por Herzog é o mesmo por onde o realizador andou em «Into The Abyss», documentário que passou na última edição do IndieLisboa sobre um condenado à morte no estado do Texas. Nesse filme o realizador germânico entrevistava o jovem condenado à morte, explicando-lhe ao início que não era apoiante da pena de morte (ressalva que volta a fazer no início das entrevistas aos condenados em «Death Row»), mas que ao mesmo tempo não podia deixar de condenar os crimes praticados pelos indivíduos. E normalmente eram crimes bastante violentos, envolvendo a morte de outras pessoas. Em «Death Row» o método deste projecto televisivo é o mesmo, mas em vez de se focar apenas numa história, desta vez Herzog faz cinco retratos de condenados à morte (uma das partes é dedicada a dois condenados), cada um com pouco menos de uma hora e um dos casos no estado da Florida. Os restantes tiveram lugar no estado do Texas, um dos que mais pessoas executa por pena capital.
Apesar de cada um destes capítulos ter menor duração do que «Into The Abyss», com cerca de duas horas de duração no total, as questões abordadas por Herzog acabam por ser as mesmas e não perdem força, apesar de os retratos serem mais compactos do que o do filme anterior: por que razão alguém mata outra pessoa e quais os seus sentimentos em relação a isso e por que razão as autoridades condenam alguém à pena de morte, algo que acontece em quase 20 estados norte-americanos. E mesmo não sendo apoiante da pena de morte, o cineasta consegue o distanciamento suficiente para levar avante o seu trabalho, relatando os crimes ocorridos e falar com muitos dos envolvidos, desde os próprios condenados, alguns dos quais continuam a lutar para tentar provar a sua alegada inocência em processos que se desenrolaram com contornos bastante nebulosos, por vezes surreais, aos seus familiares, passando por representantes da Justiça. A única defesa que Herzog faz em relação ao seu ponto de vista é quando uma das entrevistadas no último retrato o acusa de estar a humanizar a condenada, em vez de se lembrar a vítima que teve uma morte cruel. O cineasta responde-lhe afirmando que antes de mais também a condenada à morte é um ser humano, argumento que deixa a entrevistada, uma defensora pública do estado do Texas, sem palavras.
Mas mais do que um documentário sobre a pena capital e o retrato de pessoas no corredor da morte «Death Row» é uma interessante reflexão sobre como são a vida e os sentimentos de pessoas que estão numa situação peculiar em relação à maioria de nós, pois sabem que têm uma data para morrer, e em relação a um sistema que permite condenar alguém à morte. E tanto no caso do Texas como na Florida, como demonstram alguns dos depoimentos, a pena capital tem um grande apoio da população. Ao fazer estes cinco retratos Herzog não só nos apresenta uma realidade diferente, mas consegue distanciar-se suficientemente do tema, do qual tem um ponto de vista bastante vincado, para contar a história de cinco pessoas que acabaram por chegar ao corredor da morte, focando-se ao mesmo tempo em questões como Deus, os seus sonhos ou a forma como vêem o sistema e o que sentem em relação aos familiares e as vítimas dos seus crimes (nos casos em que o admitiram).
Classificação: 4/5
No extremo oposto está «Animal Love». Realizado em 1996 por Ulrich Seidl este é um documentário que não nos deixa indiferentes ao mostrar a relação de um conjunto de pessoas com os seus animais de estimação, sendo que na maioria dos casos os retratados preferem a companhia dos seus companheiros de quatro patas à dos humanos. Ao contrário de Death Row aqui o cineasta não intervém na acção a não ser quando liga a câmara e segue os retratados, tornando-nos em simultâneo voyeurs ao assistir a estas relações entre pessoas e animais, que por vezes roçam o doentio.
E há de tudo, desde quem tenha animais de estimação para simples companhia ou para pedir esmola, a casais que vêem o seu animal de estimação como o filho que nunca tiveram, passando por pessoas que têm uma relação de cariz quase sexual com o seu cão. Se o objectivo de Seidl era mostrar o universo de relações entre pessoas e animais de estimação, que como podemos comprovar em «Animal Love» é enorme, o objectivo foi alcançado em pleno. Mesmo que nos deixe com um aperto no estômago e a questionar a sanidade mental de alguns dos retratados.
Já a forma como o faz, deixa-nos algumas dúvidas, sobretudo de um ponto de vista moral. É certo que na sua essência o documentarista não tem necessariamente de ter um papel activo no que está a captar, basta apontar a câmara, filmar o mundo e mostrar o que captou ao resto do mundo. Que no fundo é o que aparentemente Seidl faz neste caso. Mas em certas sequências de «Animal Love» há um limite que é ultrapassado desnecessariamente, como quando, por exemplo, o cão de um dos pares protagonistas ataca outro na rua e se ouve a dona e uma criança, presumivelmente filha da dona do cão atacado de forma violenta, em aflição sem que ninguém faça seja o que for para ajudar o cão em apuros. Ou quando um dos cães é aparentemente abandonado no meio da estrada (até que ponto certas sequências não terão sido encenadas é uma questão que nos chega a vir à cabeça). Daí as nossas reservas em relação ao resultado final do documentário, que nos provoca algum desconforto e nos leva a pensar duas vezes na hipótese de voltar a visionar outros documentários do cineasta austríaco.
Classificação: 2/5
«Death Row» integra a secção Observatório do IndieLisboa 2013 e vai passar ainda nas seguintes sessões:
21 Abril, 21:45, Cinema City Classic Alvalade, Sala 3
27 Abril, 21:45, Cinema City Classic Alvalade, Sala 3
«Animal Love» integra a secção Observatório do IndieLisboa 2013 e vai passar ainda nas seguintes sessões:
24 Abril, 19:15, Cinema City Classic Alvalade, Sala 3
Etiquetas:
Crítica,
Festivais,
IndieLisboa 2013,
Ulrich Seidl,
Werner Herzog
sábado, 13 de abril de 2013
Sugestões para o IndieLisboa 2013: dia 23 de Abril
«Models», de Ulrich Seidl

Um retrato sobre as expectativas e a realidade das jovens modelos no final da década de 1990 é a proposta de Ulrich Seidl em «Models». Neste documentário a lupa do cineasta austríaco em destaque no IndieLisboa foca-se no dia-a-dia e nos problemas diários destas jovens para além das passerelles e do glamour associado à profissão. (sinopse)

Dia 23 de Abril, 21h45, Cinema São Jorge (Sala Manoel de Oliveira)
«The Rolling Stones - Charlie Is My Darling - Ireland '65», de Michael Gochanour e Peter Whitehead
Ao contrário dos anos anteriores a secção IndieMusic de 2013 não é das mais fortes. Contudo há um filme a merecer alguma atenção. «The Rolling Stones - Charlie Is My Darling - Ireland '65» é uma nova versão, restaurada e alargada, de um documentário original de 1965, ano em que Peter Whitehead acompanhou Mick Jagger e companhia numa digressão pela Irlanda, dentro e fora de palco. Oportunidade para revisitar o início e a juventude de uma das maiores bandas de rock do mundo. (sinopse)
quinta-feira, 11 de abril de 2013
Sugestões para o IndieLisboa 2013: dia 21 de Abril
«Thy Womb», de Brillante Mendoza

Outro dos nomes fortes a marcar presença no Indie em 2013 é Brillante Mendoza. Depois de «Cativos», filme que estreia esta semana nas salas portuguesas e conta com a presença de Isabelle Huppert no elenco, o realizador filipino traz-nos uma história sobre a maternidade e o papel da mulher no seio de uma comunidade muçulmana numa ilha remota do arquipélago asiático. Prevê-se um regresso às origens de filmes como «Lola» ou «Kinatay». (sinopse)

Dia 21 de Abril, 21h30, Culturgest (Grande Auditório)
«Paradise: Hope», de Ulrich Seidl
O primeiro fim de semana do festival termina com o encerramento da trilogia «Paradise», de Ulrich Seidl. No derradeiro episódio da trilogia o cineasta austríaco conta a história de Meli, filha de Teresa e sobrinha de Anna Maria, protagonistas dos outros dois filmes da série, uma adolescente com problemas de obesidade que vai para uma colónia de férias com o objectivo de perder peso. O objectivo acaba por ser posto de parte quando a jovem se apaixona por um dos médicos da colónia, num filme dedicado ao tema da Esperança. (sinopse e trailer)
quarta-feira, 10 de abril de 2013
Sugestões para o IndieLisboa 2013: dia 20 de Abril
Dia 20 de Abril, 15h45, Cinema City Classic Alvalade (Sala 2)
«Le Grand Soir», de Benoît Delépine e Gustave Kervern
A dupla Benoît Delépine e Gustave Kervern é presença regular no Indie desde a edição de 2005 do festival, quando apresentaram a concurso «Aaltra», uma comédia negra (género que têm vindo a explorar desde então em filmes como «Louise-Michel» ou «Mammuth») com um piscar de olho a Aki Kaurismaki, que tem um pequeno cameo no filme. Este ano trazem à secção Cinema Emergente a sua mais recente longa metragem, «Le Grand Soir», e prometem mais do mesmo com a história de dois irmãos quarentões para quem o punk não morreu. Em pano de fundo um retrato ácido da economia e do mercado laboral, temas que estão presentes nos seus anteriores filmes. (sinopse e trailer)
Dia 20 de Abril, 18h00, Culturgest (Grande Auditório)
«Paradise: Faith», de Ulrich Seidl
A segunda parte de «Paradise», de Ulrich Seidl, é outro dos destaques do terceiro dia do IndieLisboa. No capítulo central da trilogia que o cineasta traz ao festival a história centra-se no tema da Fé a partir da personagem de Anna Maria (irmã de Teresa, personagem principal do primeiro filme da trilogia), uma católica fervorosa que tem de lidar com o regresso do seu marido, um muçulmano egípcio que ficou paraplégico na sequência de um acidente. A forma como ambas as personagens lidam com a sua Fé extrema vai servir para Seidl explorar o tema sob um olhar provocador. (sinopse e trailer)
terça-feira, 9 de abril de 2013
Sugestões para o IndieLisboa 2013: dias 18 e 19 de Abril
Está prestes a arrancar mais uma edição do IndieLisboa (o programa pode ser consultado aqui), um dos principais festivais de Cinema lisboetas, que este ano comemora o seu décimo aniversário. Tal como aconteceu nos anos anteriores durante aqueles dias não farei muito mais além de ver filmes e descobrir algumas obras que muito provavelmente dificilmente voltarei a ver, pelo menos em sala. Para antecipar o início das festividades, marcado para o próximo dia 18 de Abril, ao longo dos próximos dias vou publicar uma série de posts com algumas sugestões (pessoais) de sessões a ver durante o IndieLisboa. São duas propostas por dia, com excepção do primeiro dia do festival, onde as sessões decorrem praticamente em simultâneo, e do segundo dia (devido à série de documentários de Werner Herzog sobre a pena de morte, que vai passar em duas sessões diferentes), e pode ser visto quase como um guia para quem estiver interessado em comprar a caderneta de 20 bilhetes, apesar de serem 22 as sessões a deste 'guia'. Sem mais demoras, seguimos então para as sugestões para os dias 18 e 19 de Abril:
Dia 18 de Abril, 21h30, Culturgest (Grande Auditório)
«Paradise: Love», de Ulrich Seidl
Apesar de a edição deste ano do IndieLisboa abrir com chave de ouro, com a apresentação em antestreia de «No», de Pablo Larraín (nome conhecido dos adeptos do festival, que tiveram oportunidade de ver em edições anteriores os filmes «Tony Manero» e «Post Mortem»), que foi um dos nomeados ao Óscar de Melhor Filme Estrangeiro este ano, o destaque do primeiro dia do festival vai para «Paradise: Love», de Ulrich Seidl, um dos nomes em foco na presente edição do festival. O filme faz parte de uma trilogia focada na visão de três personagens diferentes (mãe, irmã e filha), cada um visto a partir da perspectiva de uma das personagens. «Paradise: Love» é o primeiro filme da trilogia, a mãe. (sinopse e trailer)
Dia 19 de Abril, 17h00 e 21h45, Cinema City Classic Alvalade (Sala 2)
«Death Row», de Werner Herzog
Werner Herzog, Herói Independente de 2009, está de regresso ao Indie com um tema que já tinha trazido ao festival na edição do ano passado. Na senda de «Into The Abyss», documentário sobre a pena de morte nos EUA que passou na última edição do Indie, desta vez o alemão apresenta quatro retratos de criminosos condenados à pena capital nos estados da Flórida e Texas. Estes retratos, divididos em quatro partes, vão passar em duas sessões com dois documentários cada. Daí uma das excepções deste conjunto de propostas. (sinopse)
Dia 19 de Abril, 19h00, Cinema City Classic Alvalade (Sala 1)
«Rocker», de Marian Crisan
Nos últimos anos a Roménia tem sido a origem de algumas das melhores obras do cinema europeu e também no Indie tem havido espaço para descobrir alguns destes cineastas do chamado Novo Cinema Romeno, movimento que também já foi homenageado no festival em 2008 na secção Herói Independente. Este ano o único representante do contingente romeno é Marian Crisan, repetente no Indie, onde apresentou a sua obra de estreia «Morgen» em 2010. Motivos mais do que suficientes para sabermos se o cinema romeno continua de boa saúde. (sinopse)
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