sábado, 6 de outubro de 2012

13ª Festa do Cinema Francês: Je Me Suis Fait Tout Petit, de Cécilia Rouaud (2012)

«Je Me Suis Fait Tout Petit» marca a estreia na realização de Cécilia Rouaud e é um dos destaques do dia na 13ª Festa do Cinema Francês. Interpretado por Denis Ménochet (cara conhecida para os fãs de Tarantino, pois o actor entrou no último filme do norte-americano, «Sacanas Sem Lei»), o filme é uma comédia dramática sobre um professor à deriva, prestes a abandonar o trabalho em Paris rumo à solidão da Bretanha, cuja vida muda de repente quando se vê a braços com o filho da ex-mulher, que o abandonou há cerca de cinco anos. Além de ter de tratar do petiz, que foi deixado em casa da irmã de Yvan pela sua própria ex-esposa, Yvan tem ainda de lidar com duas filhas adolescentes que não gostaram da ideia de ficar sem o irmão de repente e tomam medidas drásticas para o demover. A juntar a tudo isto surge em cena a despassarada Emmanuelle (Vanessa Paradis), uma nova professora na escola de Yvan, por quem acaba por se apaixonar. Todos estes factores repentinos levam Yvan a reequacionar a sua vida e os planos que tinha para tentar recuperar do impasse.

Com uma excelente interpretação de Denis Ménochet, num daqueles papéis onde o actor principal é praticamente obrigado a levar o filme às costas, «Je Me Suis Fait Tout Petit» é uma boa estreia de Cécilia Rouaud, apesar de em alguns aspectos o argumento ser um pouco confuso. Claro que ajuda a presença de um bom elenco de suporte à personagem de Yvan, assim como uma bela banda sonora, em grande parte baseada em guitarra, que está à altura da história. Uma boa estreia.

Classificação: 4/5

«Je Me Suis Fait Tout Petit» vai passar hoje, dia 6 de Outubro, às 22 horas no Cinema São Jorge, em Lisboa, e repete no dia 8 de Outubro, também no São Jorge e à mesma hora. O filme passa ainda no dia 11 de Outubro em Almada, no Fórum Romeu Correia, às 21h00, no dia 12 no Institut Français du Portugal, às 18h45, dia 21 em Faro, no Teatro Municipal de Faro, às 21h30, e no dia 25 em Coimbra, no Teatro Académico de Gil Vicente, às 21h00.

13ª Festa do Cinema Francês: Sur la piste du Marsupilami, de Alain Chabat (2012)

À semelhança do que tem acontecido com os super-heróis da banda desenhada dos EUA, também as personagens de BD europeias têm sido levadas ao grande ecrã com alguma regularidade nos últimos anos. Algumas adaptações com resultados interessantes («As Múmias do Faraó - As Aventuras de Adèle Blanc-Sec»), outras razoáveis (alguns episódios da série «Astérix», que está prestes a estrear o quarto filme) e ainda objectos mais fracos («Os Irmãos Dalton»). O mais recente a ter tratamento cinematográfico foi Marsupilami, um animal exótico que apareceu primeiro na BD de Spirou antes de ter direito a uma série própria.

Tal como os exemplos referidos, também «Sur la piste de Marsupilami» opta por ser um filme em imagem real, onde apenas o marsupilami é criado digitalmente. E esta opção começa por ser um dos pontos fracos do filme, pois todo este universo garrido e personagens com esgares estranhos, elementos que em animação teriam resultado na perfeição, não convencem. Depois temos uma história fraca (um histórico jornalista de televisão com a carreira em risco é enviado para a Palômbia, o país onde fez a sua primeira grande reportagem, para tentar recuperar a sua carreira num prazo apertado), piadas que não funcionam de todo (o segmento sobre a profecia é um desses exemplos) e que nem sempre percebemos se são dirigidas a um público mais adulto ou aos mais novos.

Curioso é constatar que «Sur la piste de Marsupilami» foi realizado por Alain Chabat, que realizou «Astérix e Obélix: Missão Cleópatra», aquele que é considerado o melhor episódio da série Astérix no Cinema, e conta com um bom lote de actores, como Jamel Debbouze ou Lambert Wilson, este último num papel que não sabemos se nos faz rir ou chorar, pois é demasiado mau para um actor deste calibre. No final ficamos a questionar-nos até onde pode ser esticada a corda nas adaptações de BD e esperar que Marsupilami não venha a ter sequelas no futuro.

Classificação: 1/5

«Sur la piste de Marsupilami» vai passar hoje, dia 6 de Outubro, às 17h00 no Cinema São Jorge, em Lisboa e repete no dia 9 no Institut Français du Portugal, também em Lisboa, às 19h45. O filme vai ainda passar pelo Rivoli Teatro Municipal, no Porto, no dia 27 de Outubro, às 18h30, e pelo Teatro Académico de Gil Vicente, em Coimbra, no dia 30 de Outubro, às 21h00.

13ª Festa do Cinema Francês: Coleur de Peau: Miel, de Laurent Boileau, Jung Henin (2012)

«Coleur de Peau: Miel», da dupla Laurent Boileau e Jung Henin, é um dos filmes da secção «O Universo da Animação», a secção da Festa do Cinema Francês que pretende mostrar algumas obras mais recentes, e não só, do Cinema de Animação francês. Baseado na história pessoal de um dos realizadores, Jung Henin, esta deliciosa animação conta como Jung foi educado por uma família belga, que o adoptou depois da Guerra da Coreia. Jung foi uma das cerca de 200 mil crianças coreanas adoptadas por famílias de outros países que as adoptaram no final do conflito que terminou com a divisão da Península da Coreia.

Toda esta história é contada em pano de fundo, assim como a busca das suas raízes pelo próprio Jung, que surge em imagens reais, o que resulta numa interessante mistura entre os dois géneros. Mas o grosso de «Coleur de Peau: Miel», em animação, serve para contar a história da infância de Jung e como este se adaptou a uma família estranha e vice-versa. Todos os episódios normais do crescimento de uma criança estranha num país estranho, desde a sua relação com os novos irmãos à forma como as crianças coreanas eram vistas por outros, são mostradas neste belo filme. Num dos episódios mais engraçados vemos o jovem Jung a renegar a sua origem, adoptando a cultura japonesa para se esquecer de onde veio e afastar um certo ostracismo de que era alvo.

Com «Coleur de Peau: Miel» a dupla Laurent Boileau e Jung Henin consegue atingir quase em pleno aquilo que tem sido uma tendência no universo da animação recente: um filme para os mais novos que consegue também chegar aos mais velhos, que podem aproveitar o caso de Jung para conhecer uma história com contornos reais que nos remete para acontecimentos da História recente, muito provavelmente pouco conhecida no Ocidente.

Classificação: 4/5

«Coleur de Peau: Miel» vai passar hoje, dia 5 de Outubro, às 17 horas no Cinema São Jorge, em Lisboa, e de novo no dia 11 de Outubro, às 10h30, também no Cinema São Jorge em sessões escolares.

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

13ª Festa do Cinema Francês: Le Fils de l'autre, de Lorraine Lévy (2012)

No seu mais recente filme, «Le Fils de l'autre», a francesa Lorraine Lévy aborda o conflito israelo-palestiniano através de uma abordagem curiosa: duas famílias, uma de cada lado do conflito, descobrem que um dos seus filhos, acabado de fazer 18 anos, foi trocado à nascença na maternidade. Esta descoberta vai trazer um forte abalo nas duas famílias, que não sabem muito bem como lidar com a situação, sobretudo os pais, que começam logo por abandonar o consultório onde lhes é dada a notícia. Caberá então às duas mães, que se mostram mais abertas à situação, apesar de reticentes numa primeira fase, dar os passos para tentar resolver o diferendo. A situação acaba também por tocar os dois jovens, que de um momento para o outro vêem as suas vidas mudar completamente: o adolescente israelita, prestes a entrar para o serviço militar obrigatório, que sempre se viu como judeu deixa de o ser e o jovem que é o verdadeiro filho da sua família descobre que afinal deveria ter crescido no outro lado da fronteira.

Um dos aspectos mais bem conseguidos neste filme de Lorraine Lévy, uma das obras apresentadas na presente edição da Festa do Cinema Francês, é o facto de a cineasta não assumir necessariamente a defesa de um dos lados, apesar de as maiores críticas, quando surgem, serem dirigidas ao lado israelita, seja o lado militarista do país ou a forma como são tratados os palestinianos. Mas o que interessa mais em «Le Fils de l'autre» são as relações destas duas famílias, que por vezes assumem tons um pouco naives, como acontece na forma como as famílias se habituam à nova situação. Mesmo quando se sente no ar a presença de ódios demasiado fortes, este depressa desaparece, como se nada fosse. Isto acaba por resultar num retrato um pouco mais leve e tímido do conflito israelo-palestiniano, que apenas serve de pano de fundo ao resto da trama. Mas não deixa de ser um belo drama familiar sobre as relações entre pessoas oriundas de universos tão diferentes.

Classificação: 3/5

«Le Fils de l'autre» vai passar hoje, dia 5 de Outubro, às 21h00 no Cinema São Jorge, em Lisboa e repete nos dias 6 e 9 no Institut Français du Portugal, também em Lisboa, às 18h45 e 21h45, respectivamente. O filme vai ainda passar pelo Teatro Municipal de Faro no dia 17 de Outubro, às 19h30, pelo Rivoli Teatro Municipal, no Porto, no dia 28 de Outubro, às 21h30, e pelo Teatro Académico de Gil Vicente, em Coimbra, no dia 26 de Outubro, às 21h00.

13ª Festa do Cinema Francês: Zarafa, de Rémi Bezançon e Jean-Christophe Lie (2012)

Numa altura em que a animação está cada vez mais dominada pelo digital e pelo 3D é curioso constatar que ainda há quem resolva apostar em métodos mais tradicionais, como acontece em «Zarafa», um dos filmes da secção «O Universo da Animação», da Festa do Cinema Francês. E para quem pensa que estes filmes mais tradicionais são coisa do passado e fora de moda, o filme realizado por Rémi Bezançon e Jean-Christophe Lie vem contrariar essa opinião, pois tecnicamente este é um daqueles filmes de animação que apaixona os fãs do género.

Claramente virado para um público infantil, «Zarafa» baseia-se na história real da primeira girafa a entrar em solo francês, quando o Paxá do Egipto resolveu oferecer a Carlos X, o Rei de França, um espécime de tão exótico animal. Narrado por um ancião de uma aldeia africana a um grupo de crianças, o filme conta também a história de Maki, um menino de 10 anos que tenta a todo o custo trazer de volta a girafa Zarafa, como lhe chama, de volta à sua terra natal.

O resultado final é uma bela obra de animação, com uma história simples que apela ao coração de todos. E ainda temos direito a um cheirinho de diversos géneros: a viagem de África a Paris, que nos leva a atravessar desertos, mares e paisagens montanhosas, que nos faz recordar os filmes de viagens, faz também lembrar a espaços os filmes de aventuras, protagonizados por piratas e aventureiros que não têm medo de nada. «Zarafa» acaba também por ser uma grande surpresa para quem pensar que a animação tradicional foi chão que já deu uvas.

Classificação: 4/5

«Zarafa» vai passar hoje, dia 6 de Outubro, às 11h30 no Cinema São Jorge, em Lisboa e repete nos dias 11 em Almada, no Fórum Romeu Correia, às 15h00, dia 20 em Faro, no Teatro Municipal de Faro, às 15h00, no dia 28 no Rivoli Teatro Municipal do Porto, às 15h30, no dia 31 de Outubro em Coimbra, no Teatro Académico de Gil Vicente, às 10h30, e no dia 8 de Novembro, em Guimarães, no Cinema São Mamede, às 14h30.

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

13ª Festa do Cinema Francês: Paulette, de Jérôme Enrico (2012)

Arranca hoje mais uma edição da Festa do Cinema Francês. Para abrir as hostilidades foi escolhida uma agradável comédia, em antestreia mundial, que certamente ficará na memória dos espectadores. Quanto mais não seja pela sua premissa: uma senhora idosa, com um certo feitio temperamental, que vive nos subúrbios de Paris e resolve começar a traficar haxixe para saldar as suas dívidas. Mal sabia Paulette (Bernadette Lafont) no que se iria meter, alterando não só o seu dia-a-dia e o das suas amigas, mas também o próprio tráfico no bairro.

«Paulette» não será certamente uma das melhores comédias dos últimos tempos, mas é um dos bons exemplos da comédia recente vinda de terras gaulesas. Pegando em personagens peculiares, não só Paulette, mas todo o elenco secundário que a acompanha nas suas desventuras, desde o grupo de amigas ao vizinho apaixonado, passando pelos gangues de rua, o filme dá um tom leve a temas mais pesados, neste caso a vida de alguém que já teve melhores dias num ambiente hostil. E com algum esforço, não necessariamente através dos melhores meios, consegue dar a volta por cima.

A personagem interpretada por Bernadette Lafont é simplesmente deliciosa e uma daquelas por quem facilmente nos apaixonamos, tal é a velocidade com que lança tiradas politicamente incorrectas. E elas não faltam durante todo o filme. Pena que o elenco secundário, apesar da presença de bons actores, não tenha espaço suficiente para ter mais destaque, e acaba por apenas estar lá para cumprir os mínimos e dar as respostas que já estamos à espera que sejam dadas em determinada situação. «Paulette» não deixa contudo de ser uma aposta ganha para esta abertura da 13ª Festa do Cinema Francês.

Classificação: 3/5

«Paulette» passa hoje na sessão de abertura da Festa do Cinema Francês às 21h, na Sala Manoel de Oliveira do Cinema São Jorge.

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

A partir de amanhã, o Cinema francês toma conta do blogue

Em antecipação ao início da 13ª Festa do Cinema Francês, que arranca oficialmente amanhã, e em jeito de homenagem musicada a um dos meus realizadores franceses favoritos , deixo-vos um vídeo com a belíssima cena final de «Os Quatrocentos Golpes», acompanhada por uma música dos escoceses Belle and Sebastian («We Rule The School»).

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Peter Bogdanovich e a génese de «Alvos»


A propósito da crítica feita a «Alvos», de Peter Bogdanovich, recomendo o visionamento desta pequena entrevista, disponível no YouTube, onde o realizador apresenta o filme e conta alguns episódios curiosos sobre a sua génese e produção. Além de ficarmos a saber mais sobre o próprio filme, temos ainda a possibilidade de conhecer um pouco os métodos de Roger Corman, a partir do exemplo de como o produtor e realizador norte-americano apoiou Bogdanovich nesta obra. A entrevista está também disponível como extra na edição portuguesa do DVD de «Alvos».

Alvos, de Peter Bogdanovich (1968)

Corria o ano de 1968 quando o grande mestre Roger Corman, pai de uma não menos famosa geração de realizadores norte-americanos, convidou o então jovem jornalista Peter Bogdanovich para realizar um filme com Boris Karloff, actor que devia a Corman dois dias de trabalho, segundo reza a lenda contada pelo próprio Bogdanovich. Foi assim que nasceu «Alvos», o primeiro filme oficial de Peter Bogdanovich depois de uma outra longa-metragem, assinada com o nome de Derek Thomas e com o fantástico nome de «Voyage to the Planet of Prehistoric Women». Aceite o desafio, Bogdanovich escreveu uma história com a ajuda da então companheira Polly Platt e depois de uma revisão feita por Samuel Fuller o projecto «Alvos» lá avançou.

Filmado com poucos meios, como era hábito nestas produções, «Alvos» conta duas histórias em paralelo que se vão cruzar no final, numa sequência onde as personagens principais se confrontam num drive-in, o melhor cenário possível para um cineasta conhecido por ser também um dos maiores historiadores da Sétima Arte. E uma das histórias, a que é protagonizada por Karloff, acaba também por nos mostrar essa faceta de Bogdanovich, pois o homem que deu vida a Frankenstein interpreta aqui um popular actor de filmes de terror que decide reformar-se, o que acaba por surpreender todos à sua volta, que contavam com ele para pelo menos mais um filme, que apenas avançará com a sua presença. A segunda história de «Alvos», que serviu para complementar a presença obrigatória de Karloff, é a de Bobby Thompson (Tim O'Kelly), um jovem adepto de armas de fogo que resolve começar a matar pessoas aparentemente sem razão.

Com um orçamento de pouco mais de 125 mil dólares, Peter Bogdanovich conseguiu aqui uma estreia auspiciosa, que apesar de não ser uma excelente filme nos mostra como a escola de Corman funcionava, ao criar bons filmes com poucos meios. Neste caso concreto temos o recurso a um nome relativamente sonante, Boris Karloff, a utilização de poucos cenários, que em alguns casos serviam para cenas passadas em diferentes sítios, e até a filmagem em locais sem autorização, num estilo que se designa de cinema guerrilha e que foi utilizado nas sequências da auto-estrada. Esta boa estreia acabou por ajudá-lo a mais tarde realizar aquela que é, ainda hoje, a sua melhor obra e a mais conhecida: «A Última Sessão».

Classificação: 4/5

domingo, 30 de setembro de 2012

Cirkus Columbia, de Danis Tanovic (2010)


Há pouco mais de dez anos o nome de Danis Tanovic saltou para os holofotes da fama ao arrecadar inúmeros prémios, entre os quais o Óscar de Melhor Filme Estrangeiro, com a sua estreia «Terra de Ninguém», um drama passado nas trincheiras da Guerra da Jugoslávia. O conflito que marcou a Europa na década de 1990 volta a estar representado no mais recente filme do bósnio, mas desta vez a guerra ainda não ganhou os contornos que iria ganhar mais tarde. O próprio filme, apesar de também ser um pouco dramático, tem uma base um pouco mais leve e com tons de comédia que quase que podiam remeter para um filme de Emir Kusturica, sem todo o exagero do universo do autor de «Underground».

Tudo se passa no período imediatamente anterior ao início do conflito, quando Divko (Miki Manojlovic) regressa à sua terra natal, rico e com esperança de iniciar uma nova vida, depois de um longo período na Alemanha para onde fugiu devido a questões políticas. Consigo vem a jovem Azra (Jelena Stupljanin), com quem pretende casar depois de conseguir obter o divórcio da sua esposa. Este regresso do filho pródigo vai desencadear um conjunto de episódios e a memória de tempos passados leva o caos à pequena localidade onde decorre a acção. Em pano de fundo começa a aumentar a tensão entre os grupos étnicos que irá levar mais tarde à Guerra da Jugoslávia.

«Cirkus Columbia» é o retrato de uma comunidade que vive tempos conturbados, contado a partir deste regresso de Divko, num registo de comédia com tons de drama. Sem nunca abusar num estilo burlesco, que se nota mais no cinema do já referido Kusturica, este é um filme que aborda questões complexas, algumas das quais ainda estão vivas na memória dos países da ex-Jugoslávia, envolvendo não só a família de Divko, mas também a própria comunidade. A forma como são tratados os assuntos burocráticos por parte do presidente da Câmara ou a entrada em cena dos militares são bons exemplos de uma certa crítica aos costumes da altura.

Ancorado em boas interpretações, nomeadamente a de Miki Manojlovic e a de Boris Ler, que interpreta o filho de Divko, Martin, «Cirkus Columbia» apenas peca por ter uma história pouco desenvolvida e que poderia ir mais fundo no desenvolvimento das personagens, o que o coloca uns furinhos abaixo de «Terra de Ninguém».

Classificação: 3/5

Os novos Suspeitos do Costume




Não, estes não são os elencos de um possível remake do filme «Os Suspeitos do Costume», apesar de os remakes de filmes de culto estarem um pouco na moda em Hollywood. Apenas versões alternativas dos posters do filme de Bryan Singer com personagens de filmes de terror.

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Crime e Pecado, de Rowan Joffe (2010)

Dois anos depois, chega às salas portuguesas «Crime e Pecado», a estreia na realização de Rowan Joffe, responsável por argumentos de filmes como «O Americano» ou «28 Semanas Depois». Para a sua primeira obra o filho de Roland Joffe escolheu realizar um remake de «Brighton Rock», um filme de John Boulting de 1947, desconhecido por estes lados, mas que tem boas referências e eventualmente será visto no futuro, tal é a curiosidade que alguns comentários têm gerado.

Centremos então as atenções na estreia de Rowan Joffe, que começa bem o filme, com uma bela cena que dá mote a todo o filme: a morte do líder de um grupo de criminosos de Brighton às mãos de um gangue rival, numa sequência bem filmada e com banda sonora a condizer. Banda sonora que neste início do filme está quase perfeita, com um assobio sinistro q.b., mas aos poucos começa a perder um pouco a sua força. Na tentativa de vingar a morte do chefe, os restantes elementos do grupo vão atrás do executor e a perseguição acaba também com a morte deste. Contudo, antes de a vingança ser posta em prática surge no meio dos planos a jovem Rose (Andrea Riseborough) que testemunha indirectamente o crime. É nesta relação entre Rose e Pinkie (Sam Riley), um dos membros do grupo que pretende substituir o chefe assassinado no início do filme, custe o que custar, que vai estar concentrado o resto do filme, pois Pinkie tenta silenciar Rose, sem olhar a meios.

Tecnicamente «Crime e Pecado» é uma boa estreia, mas o resultado final parece um objecto sem alma. Temos uma boa recriação de época, sobretudo na forma como explora os confrontos entre Mods e Rockers na Inglaterra dos anos 1960 numa das cenas, acompanhada por uma boa fotografia, mas o argumento acaba por ser um pouco vazio e confuso. Tudo avança demasiado depressa, sem que as personagens sejam devidamente exploradas, mesmo que tenham personalidades bastante fortes e vincadas, como é o caso do próprio Pinkie, uma personagem que merecia mais, apesar de a interpretação de Sam Riley estar assombrosa. Nem sequer vale a pena referir a maior parte dos secundários, que mal tem tempo para respirar.

Falta qualquer coisa neste remake para estarmos perante um grande filme ou pelo menos para ser um daqueles filmes que nos lembremos daqui por uns tempos, quando quisermos dar exemplos de bons filmes sobre criminosos. Mas tal não significa que «Crime e Pecado» não tenha bons indícios para manter Rowan Joffe debaixo de olho numa futura longa-metragem. É esperar para ver.

Classificação: 3/5

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Apocalypse Now, de Francis Ford Coppola (1979)

A loucura da guerra ou a loucura do Homem. É difícil identificar o tema principal de «Apocalypse Now», um dos filmes com a rodagem mais atribulada na carreira de Francis Ford Coppola. Levemente inspirado no livro «Corações das Trevas», de Joseph Conrad, o filme leva-nos aos confins da Guerra do Vietname onde o Capitão Willard (Martin Sheen), farto de estar fechado num quarto de hotel em Saigão, recebe a missão de encontrar e assassinar o Coronel Kurtz (Marlon Brando), um militar norte-americano que desertou do Exército.

Tal como referi no início do texto, não é fácil identificar um único tema nesta obra-prima do realizador da saga «O Padrinho», tal é a variedade de questões que nos são colocadas. Podíamos pegar na personagem de Willard, que quis voltar à guerra porque já não conseguia estar nos EUA depois de ter passado por uma primeira experiência no Vietname, ou na complexidade de Kurtz e o seu assombroso discurso final, passando pela própria guerra que se encontra em pano de fundo com as inúmeras personagens secundárias, quase todas memoráveis. E sim, tenente Kilgore (Robert Duvall), estou a lembrar-me de ti e de como gostas de sentir o cheiro do napalm pela manhã.

Apesar de todas as contrariedades que envolveram a produção de «Apocalypse Now», com problemas atrás de problemas a porem em risco aquele que será um dos melhores e mais ousados filmes que retrataram a Guerra do Vietname, e exemplos de filmes que lidaram com este conflito não faltam, aquilo que vemos neste brilhante filme de Coppola é ao mesmo tempo um excelente retrato daquela época, sem nunca criticar ou vangloriar um determinado ponto de vista, seja favorável ou contrário à violência. Aguentar as mais de 3 horas de «Apocalypse Now», na sua versão redux, editada e lançada posteriormente por Coppola, é quase como ir ao Inferno e voltar para contar. Mas é uma daquelas viagens que vale bem a pena fazer.

Classificação: 5/5

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Para Roma com Amor, de Woody Allen (2012)

Woody Allen é como o Natal: goste-se ou não, sabemos que uma vez por ano temos sempre direito a uma aparição do cineasta nova-iorquino. Desta vez, continuando a explorar a sua 'fase europeia', Allen leva-nos a Roma, cidade onde têm lugar quatro histórias diferentes protagonizadas por personagens que vivem na capital italiana ou vêm de fora, umas para recordar o passado, outras para conhecerem novos familiares ou a cidade. Cada uma destas histórias explora diferentes aspectos e faz lembrar um pouco certos filmes de sketches que já foram populares no Cinema italiano, com a diferença de que neste caso as histórias são contadas em simultâneo, apesar de o tempo da acção não coincidir (há histórias que decorrem durante um dia e outras que têm uma maior duração), e não em separado, como se fossem episódios.

E temos um pouco de tudo em «Para Roma com Amor»: uma história inspirada em «Sheik Branco», o primeiro filme realizado por Fellini a solo, que pode ser vista quase como uma homenagem ao realizador italiano, um episódio sobre relações (o episódio protagonizado por Jesse Eisenberg e Ellen Page) e que talvez seja o mais Alleniano dos segmentos, uma sátira à forma como os italianos lidam com a fama, onde um pobre cidadão comum passa a famoso de um dia para o outro (um regresso em grande forma do desaparecido Roberto Benigni) e um quarto episódio que conta com a presença de Woody Allen em mais um dos seus típicos papéis de neurótico, algo que já não acontecia desde 2006, mas é sempre um prazer ver, pois sentimos que estamos na presença de um velho amigo que já não encontramos há anos.

Mas se as histórias até têm partes curiosas, que nos fazem rir com coisas sérias, e as interpretações estão todas no sítio certo, características habituais nos filmes de Woody Allen (salvo raras excepções), esta dispersão acaba por prejudicar o resultado final de «Para Roma com Amor», sobretudo por um aspecto que, a meu ver, joga contra o filme: a opção de contar os quatro episódios em simultâneo, como se de um filme mosaico se tratasse, onde no final todas as personagens se encontram por um acaso do destino, algo que não é. A mais recente obra do cineasta nova-iorquino talvez tivesse tido melhor resultado se seguisse pelo estilo tradicional dos episódios contados cada um à sua vez. Assim acaba por ser um objecto algo confuso e pouco coeso. E todos os episódios podiam ter sido explorados como apenas um filme e ao serem encurtados acabam por perder alguma força. Em suma, «Para Roma com Amor» é um filme que irá agradar aos fãs de Woody Allen, mas não deixa de ser isso: apenas mais um filme de Woody Allen.


Classificação: 3/5

domingo, 23 de setembro de 2012

10 Filmes: Vampiros

O objectivo desta rubrica é apresentar 10 filmes temáticos. Não são necessariamente obras-primas, nem estes posts pretendem ser tops definitivos. A ordem é a cronológica, precisamente para não dar mais ou menos destaque a um determinado filme. São simplesmente os dez primeiros filmes que me vieram à cabeça sobre um determinado tema e quase todos bastante recomendáveis. A proposta de hoje são filmes protagonizados por vampiros. Convido-vos também, se quiserem, a partilharem na caixa de comentários outras propostas. Estas são as minhas:
Nosferatu, o Vampiro, de F. W. Murnau (1922)

Drácula, de Tod Browning (1931)

Vampiro, de Carl Theodor Dreyer (1932)

O Horror de Drácula, de Terence Fisher (1958)

Por Favor Não Me Morda o Pescoço, de Roman Polanski (1967)


Blacula, de William Crain (1972)

Fome de Viver, de Tony Scott (1983)

Drácula de Bram Stoker, de Francis Ford Coppola (1992) 

Vampiros, de John Carpenter (1998) 

Sombras da Escuridão, de Tim Burton (2012)

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

E o Cinema Mudo, esqueceram-se?

Foi hoje apresentado o muito falado Plano Nacional de Cinema, uma iniciativa da Secretaria de Estado da Cultura e do Ministério da Educação e da Ciência cujos principais objectivos serão promover a formação de novos públicos e combater a iliteracia em relação ao Cinema. Não pretendo com este post criticar ou não o mérito da iniciativa, à qual desejo os melhores resultados pois toda e qualquer iniciativa destinada a incentivar os mais novos a gostarem de Arte, seja ela qual for, é bem-vinda. Mas neste caso concreto, no qual vão participar numa espécie de ano-piloto 23 escolas espalhadas pelo país, a lista suscita desde já algumas dúvidas, a começar por uma.

Se o objectivo é incentivar a descoberta do Cinema (ainda não consegui perceber em que moldes e se os filmes vão ser apenas projectados ou também discutidos e apresentados, para que os espectadores saibam pelo menos o contexto em que foram feitos ou a sua importância para estarem no dito Plano) onde está o Cinema Mudo? Aparentemente deste período os autores das escolhas apenas conhecem Chaplin, Mélies, Manoel de Oliveira e um documentário de Aurélio Paz dos Reis, um dos pioneiros do Cinema em Portugal. Tudo o resto, desde Keaton a Griffith, passando pelo expressionismo alemão ao cinema soviético, para focar apenas géneros mais importantes deste período, ficou na gaveta.

Já para não falar que não há um único exemplo do cinema italiano do pós-guerra, nomeadamente o neo-realismo, e mesmo os exemplos do cinema clássico norte-americano são escassos. Destaca-se contudo a presença de obras portuguesas, que estão em grande maioria e bem representadas. Mas se é com esta lista que pretendem levar os mais novos a gostar da Sétima Arte, temo que o efeito não será alcançado. Depois deste pequeno desabafo, resta deixar-vos a lista completa dos filmes presentes no plano:

(texto actualizado com a referência a Manoel de Oliveira na lista dos autores de filmes mudos)

"Estória do Gato e da Lua", de Pedro Serrazina (Potugal, 1995)
"O Estranho Mundo de Jack", de Henry Selick (EUA, 1993)
"A Bola", de Orlando Mesquita Lima (Moçambique, 2001)
"Com Quase Nada", de Margarida Cardoso e Carlos Barroco (Portugal e Cabo Verde, 2000)
"Aniki-Bobó", de Manoel de Oliveira (Portugal, 1942)
"As coisas lá de Casa", de José Miguel Ribeiro (Portugal, 2003)
"O Garoto de Charlot", de Charles Chaplin (EUA, 1921)
"ET, o Extraterrestre", de Steven Spielberg (EUA, 1982)
"Diz-me Onde Fica a Casa do Meu Amigo", de Abbas Kiarostami (Irão, 1987)
"História Trágica com Final Feliz", de Regina Pessoa (Portugal, 2005)
"A Noiva Cadáver", de Tim Burton (EUA, 2005)
"Saída de Pessoal Operário da Camisaria Confiança", de Aurélio da Paz dos Reis (Portugal, 1896)
"A Invenção de Hugo", de Martin Scorsese (EUA, 2011)
"Serenata à Chuva", de Stanley Donen (EUA, 1952)
"Shane", de George Stevens (EUA, 1953)
"Adeus, Pai", de Luís Filipe Rocha (Portugal, 1996)
"Eduardo, Mãos de Tesoura", de Tim Burton (EUA, 1990)
"Romeu + Julieta", de Baz Luhrman (EUA, 1996)
"A Suspeita", de José Miguel Ribeiro (Portugal, 1999)
"O Barão", de Edgar Pêra (Portugal, 2011)
"Um Outro País", de Sérgio Tréfault (Portugal, 1999)
"Persepolis", de Marjane Satrapi e Vicent Paronnaud (França, 2004)
"A Noite", de Regina Pessoa (Portugal, 1999)
"Douro, Faina Fluvial", de Manoel de Oliveira (Portugal, 1931)
"Jaime", de António Reis (Portugal, 1974)
"Rafa", de João Salaviza (Portugal, 2012)
"Luzes na Cidade", de Charles Chaplin (EUA, 1931)
"Os 400 Golpes", de François Truffaut (França, 1959)
"Senhor X", de Gonçalo Galvão Teles (Portugal, 2010)
"A Esquiva", de Abdelatlif Kechiche (França, 2004)
"Belarmino", de Fernando Lopes (Portugal, 1964)
"Fado Lusitano", de Abi Feijó (Portugal, 1995)
"Os Respigadores e a Respigadora", de Agnès Varda (França, 2000)
"Viagem à Lua", de Georges Méliès (França, 1902)
"Os Salteadores", de Abi Feijó (Portugal, 1993)
"A Cortina Rasgada", de Alfred Hitchcock (EUA, 1966)

Descubra as diferenças #1

 O Beijo Fatal, de Robert Aldrich (1955)

Pulp Fiction, de Quentin Tarantino (1994)

Com esta rubrica, que irá surgir regularmente consoante as minhas descobertas cinéfilas, pretendo apresentar algumas cenas semelhantes que aparecem em diferentes filmes. Para começar nada como escolher uma cena de um filme de Quentin Tarantino, realizador que actualmente é capaz de ser o melhor na arte de 'pilhar' cenas dos seus filmes favoritos para as integrar nas suas obras. Neste caso a cena pertence a «Pulp Fiction» e envolve uma estranha mala que Jules (Samuel L. Jackson) e Vincent (John Travolta) vão buscar a casa de um grupo de jovens que enganaram o seu patrão, Marsellus Wallace (Ving Rhames). O conteúdo da mala, que irradia uma estranha luz, nunca é desvendado e ainda hoje os fãs do filme debatem o que estaria dentro da mala.

A inspiração de Quentin Tarantino veio de um excelente film noir dos anos 1950 realizado por Robert Aldrich chamado «Kiss Me Deadly» («O Beijo Fatal», no título em português) que é considerado um dos melhores filmes do cineasta e uma das melhores obras dentro deste género. Neste filme também uma estranha mala com algo luminoso dentro tem um papel importante e é o motivo que leva as personagens a tomarem determinadas acções. Também aqui não se sabe ao certo o que está dentro da mala e quem a abre tem uma surpresa desagradável. 

Se para muitos a obra de Quentin Tarantino é mais do que conhecida e já terá sido analisada e vista ao pormenor mais do que uma vez, o filme de Robert Aldrich merece também um visionamento atento. E caso ainda seja um filme desconhecido, fica aqui a recomendação, que decerto irá agradar os fãs do film noir.

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Pulp Fiction, de Quentin Tarantino (1994)

Corria o ano de 1992 quando um jovem realizador, de seu nome Quentin Tarantino, realizou a sua primeira longa-metragem oficial, filme que cedo se tornou de culto. Dois anos depois desta auspiciosa estreia (o cineasta tem duas experiências anteriores no currículo, mas pouco conhecidas ou relegadas ao esquecimento) com «Cães Danados», Tarantino voltou à carga com um filme que se tornaria ainda mais importante na sua carreira e um dos principais clássicos do cinema da década de 1990, conquistando nesse ano a Palma de Ouro no Festival de Cannes. Quase que corria o risco de espicaçar os fãs do realizador e afirmar que depois de «Pulp Fiction» Quentin Tarantino nunca mais conseguiu alcançar tamanha genialidade. O que não significa que o homem que saltou do videoclube para a cadeira de realizador, segundo reza a lenda, não seja um dos mais originais realizadores norte-americanos da actualidade, capaz de explorar e homenagear géneros ditos menores como ninguém. E com resultados bastante recomendáveis.

No caso de «Pulp Fiction», como o próprio nome indica, a homenagem é feita aos livros deste género, que normalmente relatam histórias de crime protagonizadas por personagens que vivem à margem da sociedade. E praticamente todas as personagens deste filme se tornaram míticas, desde a dupla Jules (Samuel L. Jackson) e Vincent (John Travolta) ao par de ladrões Pumpkin (Tim Roth) e Honey Bunny (Amanda Plummer), passando por Zed (Peter Greene) ou o gangster Marsellus Wallace (Ving Rhames). A juntar a estas personagens que alcançaram o estatuto de ícone, «Pulp Fiction» inclui ainda diálogos memoráveis que são praticamente conhecidos de fio a pavio por todos os fãs do filme.

«Pulp Fiction» quase que pode ser visto como um upgrade a «Cães Danados», pois todos os elementos que já eram explorados na primeira longa-metragem de Tarantino (a banda sonora com músicas que ficam no ouvido, apesar de não serem grandes clássicos, personagens marcantes, excelentes diálogos, uma história contada através de várias perspectivas, etc.) são aqui levados mais a fundo. Nota-se que o realizador já conta com mais meios, tem um elenco de actores com algumas estrelas, algumas que na altura estavam um pouco esquecidas, como é o caso de Travolta, que viu a sua carreira relançada com este filme, e estrelas em ascensão, como aconteceu com Uma Thurman, que posteriormente se tornou uma das musas de Tarantino em «Kill Bill». E a forma de filmar, com vários longos travellings que nos levam literalmente a percorrer os cenários de uma LA marginal atrás destas personagens fora da lei, já começa a ser aquela que iria ser umas das imagens de marca do cineasta.

Actualmente, quase 20 anos após a sua estreia, «Pulp Fiction» continua a ser um filme de culto e uma das obras mais importantes do cinema norte-americano da década de 1990, com a particularidade de ser também um daqueles filmes que não perdeu o brilho. Apesar de alguns aspectos nos remeterem para aquela época, a segunda longa-metragem de Quentin Tarantino envelheceu bem e continua a fascinar os fãs do realizador a cada novo visionamento.

Classificação: 5/5

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Terapia a Dois, de David Frankel (2012)

Juntar dois grandes actores no mesmo filme nem sempre dá bom resultado. Um bom exemplo disso é «Terapia a Dois», uma espécie de comédia romântica assinada por David Frankel, realizador de «O Diabo Veste Prada», que reúne Meryl Streep e Tommy Lee Jones. A dupla forma um casal onde o sexo já deixou de existir há muito tempo. Quando nos são apresentados estão prestes a celebrar o 31º aniversário de casamento e Kay (Meryl Streep) resolve oferecer ao marido uma terapia conjugal para recuperar a chama de tempos passados.

Esta é a premissa de um filme que desperdiça completamente o talento de dois veteranos que merecem todo o respeito, mas aqui tanto podiam ser eles como quaisquer outros actores de segunda. De cliché em cliché, sem trazer nada de novo que não seja mais um bocejo, «Terapia a Dois» é um daqueles casos em que tudo é tão previsível que a única coisa que não conseguimos adivinhar (também melhor era) são as falas das personagens. Até as músicas, melosas na maior parte dos casos, são aquelas que imaginaríamos que iriam começar naquela determinada cena. Claramente, e nota-se nas expressões da personagem de Tommy Lee Jones, este foi apenas um filme para cumprir calendário e receber o cheque no final.

Classificação: 1/5

terça-feira, 18 de setembro de 2012

13ª Festa do Cinema Francês: destaques da programação

Foi hoje apresentada em Lisboa, no Instituto Franco-Português, a programação oficial da 13ª edição da Festa do Cinema Francês, que este ano vai decorrer em 10 cidades (Almada, Coimbra, Estarreja, Évora, Faro, Guimarães, Lisboa, Porto, Seixal e Setúbal) entre 4 de Outubro e 9 de Novembro. Com duas dezenas de ante-estreias, 10 das quais com distribuição prevista no circuito comercial, a edição deste ano da Festa vai ainda prestar homenagem a dois realizadores, que terão direito a retrospectivas bastante completas: Olivier Assayas (na Cinemateca Portuguesa) e Jacques Audiard (Cinema Nimas). Em ambos os casos os ciclos terminam com as suas mais recentes obras, «Après Mai» e «De Rouille et d'Os», respectivamente.

Quem também vai ser homenageada durante a festa é Maria de Medeiros, que foi escolhida como a madrinha do evento. A actriz e realizadora portuguesa vai apresentar seis filmes escolhidos pela própria, entre os quais duas obras que realizou: «Capitães de Abril» e «Je t'aime, moi non plus - artistes et critiques». Destaque ainda para a realização de um ciclo de Cinema de Animação onde serão apresentadas sete obras deste género, todas realizadas por autores gauleses, e para a projecção de uma nova cópia restaurada do clássico «Lola», de Jacques Demy, que encerrará a 13ª Festa do Cinema Francês, em Guimarães, cidade que este ano é a Capital Europeia da Cultura.

Tal como em edições anteriores, a Festa vai também ter espaço no pequeno ecrã da RTP 2, onde a programação da Sessão Dupla e do Onda Curta serão dedicadas ao cinema francês. Para quem quiser acompanhar melhor um dos principais eventos dedicados ao Cinema francês promovido em Portugal, fruto do esforço do Instituto Franco-Português, fica aqui uma breve apresentação da programação, que pode ser vista com mais detalhe no site oficial da Festa.

Poulet aux Prunes, de Vicent Paronnaud e Marjane Satrapi


Ante-estreias (a negrito os filmes com distribuição comercial prevista)

Paulette, de Jérôme Enrico
Fragments d’une revolution, de Collectif Anonyme
Le fils de l’autre, de Lorraine Levy
Sur la Piste du Marsupilami, de Alain Chabat 
Je me suis fait tout petit, de Cécilia Rouaud
De bon matin, de Jean-Marc Moutout
Un heureux évènement, de Rémi Bezançon 
Toi, Moi, Les autres - Leila, de Audrey Estrougo
Journal de France, de Raymond Depardon e Claudine Nougaret
Captive, de Brillante Mendoza
Présumé Coupable, de Vincent Garenq
Elles, de Malgorzata Szumowska
Indignados, de Tony Gatlif
L’exercice de l’état, de Pierre Schoeller
Está no Ar / Parlez-moi de vous, de Pierre Pinaud 
Le Cochon de Gaza, de Sylvain Estibal 
L'art d'Aimer, de Emmanuel Mouret 
Poulet aux Prunes, de  Vicent Paronnaud e Marjane Satrapi
La Pirogue, de Moussa Touré
De Rouille et d'os, de Jacques Audiard


Maria de Medeiros - A Madrinha

À l’abri de la tempête, de Camille Brottes Beaulieu
Capitães de Abril, de Maria de Medeiros
Je t'aime, moi non plus - artistes et critiques, de Maria de Medeiros
Je ne suis pas mort, de Mehdi Ben Attia
Três Irmãos, de Teresa Villaverde
Viagem a Portugal, de Serge Tréfaut

Après Mai, de Oliver Assayas (2012)

Retrospectiva: Oliver Assayas


Désordre (1986)
Paris s'eveille (1991)
L'Eau Froide (1994)
Irma Vep (1996)
HHH Portrait de Hou Hsiao-Hsein (1997)
Les Destinées Sentimentales (2000)
Clean (2004)
Demonlover (2002)
Boarding Gate (2007)
L’heure d’été (2008)
Carlos (série) (2010)
Après Mai (2012)


De Rouille et d'Os, de Jacques Audiard (2012)

Retrospectiva: Jacques Audiard


Regarde les hommes tomber (1994)
Un Héros très discret (1996)
Sur mes lévres (2001)
De battre mon coeur s'est arrêté (2005)
Un prophète (2009)
De Rouille et d'Os (2012)

Zarafa, de Rémi Bezançon e Jean-Christophe Lie (2012)

O Universo da Animação
Gwen, le livre de sable, de Jean-François Laguionie (1985)

L'île de Black Mór, de Jean-François Laguionie (2004)
Le tableau, de Jean-François Laguionie (2011)
La planète sauvage, de René Laloux (1973)
L'apprenti Père Noël, de Luc Vinciguerra (2010)
Zarafa, de Rémi Bezançon e Jean-Christophe Lie (2012)
Couleur de peau : Miel, de Laurent Boileau e Jung Henin (2012)


Trois Couleurs: Bleu, Blanc et Rouge, de Krzysztof Kieslowski (1993-1994)

RTP2 – Sessão Dupla
Le Gamin au Velo, de Jean-Pierre Dardenne e Luc Dardenne (2011) 6 de Outubro
Trois couleurs: Bleu, de Krzysztof Kieslowski (1993) 6 de Outubro
The Dreamers, de Bernardo Bertolucci (2003) 13 de Outubro
Trois couleurs: Blanc, de Krzysztof Kieslowski (1994) 13 de Outubro
Monsieur Batignole, de Gérard Jugnot (2002) 20 de Outubro
Trois couleurs: Rouge, de Krzysztof Kieslowski (1994) 20 de Outubro
Les bien-aimés, de Christophe Honoré (2011) 27 de Outubro
Une vieille maîtresse, de Catherine Breillat (2007) 27 de Outubro

Le voyage dans la lune, de Georges Méliès (1902)

RTP2 – Onda Curta
Jean-Luc persécuté, de Emmanuel Laborie (2011) 7 de Outubro
Babioles, de Mathieu Auvray (2012)  10 de Outubro
505g, de JérémyAzencott (2012) 10 de Outubro
Babioles, de Mathieu Auvray (2012) 21 de Outubro
Elvis de Nazareth, de  Rani Masalha (2011) 21 de Outubro
[R], de  Julie Rembauville e Nicolas Bianco-Levrin (2011) 21 de Outubro
La part de Franck, de Dominique Baumard (2011) 21 de Outubro
Babioles, de Mathieu Auvray (2012) 28 de Outubro
La Meilleure façon de tracer L’amicale du réel (2010) 28 de Outubro
The extraordinary voyage, de  Serge Bromberg e Eric Lange (2011) 4 de Novembro
Le voyage dans la lune, de Georges Méliès (1902) 4 de Novembro