quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

10 filmes: Boxe

O início do ano cinéfilo no Shut up and watch the movies foi marcado por um clássico realizado por Raoul Walsh: «O Ídolo do Público», ou «Gentleman Jim», no título original. Para comemorar este visionamento regressa mais uma lista de filmes temáticos, desta vez dedicada ao boxe, o desporto praticado pelo protagonista do filme de Walsh. Tal como outras listas desta rubrica, os filmes apresentados não são os melhores ou os piores dentro de um determinado tema, apenas 10 exemplos de filmes que abordam o tema destacado. Por isso outras propostas são sempre bem-vindas na caixa de comentários, quanto mais não seja para promover a partilha ou a descoberta de novos títulos.

Ringue de Boxe, de Alfred Hitchcock (1927)

O Ídolo do Público, de Raoul Walsh (1942)

Nobreza de Campeão, de Robert Wise (1949)

Belarmino, de Fernando Lopes (1964)

Rocky, de John G. Avildsen (1976)

O Touro Enraivecido, de Martin Scorsese (1980)

 O Boxeur, de Jim Sheridan (1997)

Ali, de Michael Mann (2001)

Million Dollar Baby - Sonhos Vencidos, de Clint Eastwood (2004)

The Fighter - Último Round, de David O. Russell (2010) 

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Tal Pai, Tal Filho, de Hirokazu Koreeda (2013)

Há qualquer coisa no olhar de Hirokazu Koreeda que nos fascina. Não serão apenas os belos filmes que nos tem apresentado ao longo dos últimos anos, mas a forma serena e terna como filma as histórias que nos traz e volta e meia temos o prazer de ver em estreia comercial. Pequenas pérolas vindas do Japão, criadas por um dos dignos sucessores do génio de Ozu (recomenda-se o visionamento de «Andando», uma espécie de variação de «Viagem a Tóquio» passada nos dias de hoje, para o confirmar), que quase passam sem darmos por elas, mas que se lhes dermos atenção acabam por ser experiências memoráveis. «Tal Pai, Tal Filho» não é excepção e foi uma das mais agradáveis fitas a passar pelas salas portuguesas no final do ano passado.

A história de um pai que descobre, seis anos depois, que o seu filho foi trocado por outro no hospital, facilmente poderia ser um dramalhão de primeira, com lágrima a espreitar ao canto do olho. Mas Koreeda foge disso como o diabo da cruz e o resultado é algo completamente diferente. Um filme sincero, que retrata o drama de alguém que a dado momento e a partir de uma situação em específico se coloca perante inúmeras questões que no limite põem em causa toda a sua vida. Não só o que fazer quando descobre que o seu filho natural não é o que criou durante seis anos, mas um miúdo criado por uma família de menos recursos do que a dele, mas também o que falhou ao longo dos mesmos seis anos para que se sinta tão longe do menino que criou e ao mesmo tempo incapaz de acarinhar e aproximar-se do seu verdadeiro filho quando este vai viver com o casal natural.

Mais do que um belo filme, «Tal Pai, Tal Filho» acaba por ser um retrato da época em que foi feito (já Fritz Lang na sua extraordinária conversa com Jean-Luc Godard - Le dinosaure et le bébé -  dizia que todos os filmes são como que documentários de uma determinada época), algo que já acontecia nos filmes anteriores de Hirokazu Koreeda, onde a família é sempre o centro da trama. Os dilemas de alguém que sempre deu tudo o que tinha a dar no emprego, descurando dessa forma a família e os que o rodeiam, da esposa ao pai, passam em pano de fundo. O final é aparentemente feliz, mas não sabemos se esta experiência limite pela qual todos passaram será suficiente para algo mudar ou se tudo irá continuar na mesma. O que não mudou, de certeza, foi o olhar sereno de Koreeda perante as suas personagens, que não deixa de nos fascinar desde que vimos pela primeira vez um dos seus filmes. Mais do que recomendável, «Tal Pai, Tal Filho» é um dos filmes obrigatórios em exibição por estes dias.

Nota: 4/5

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Os melhores de 2013. E balanço do ano que agora termina

31 de Dezembro de 2013. Nestas últimas horas do ano é tempo de fazermos um balanço do que se fez (ou não) ao longo dos últimos meses deste ano. Por estes lados, como é de Cinema que falamos (não tanto como deveríamos ou gostaríamos, mas isso é outra conversa), nunca é tarde para postar a lista dos melhores do ano. Ao contrário dos últimos anos, desta vez esforcei-me por escolher uma lista de 10 em vez dos 20 melhores do ano. Até porque a tarefa foi mais fácil em relação a outros anos, pois as estreias comerciais em 2013 foram relativamente fracas. Como sempre, a lista apenas inclui filmes que estrearam comercialmente em Portugal ao longo de 2013. Muitos ficaram de fora e talvez pudessem entrar na lista, mas não há tempo para tudo. E alguns filmes vistos em festivais também aqui poderiam entrar de bom grado, mas não é esse o propósito desta lista. Sem mais demoras, aí vai a lista dos melhores do ano:

1 - The Hunt - A Caça, de Thomas Vinterberg

2 - Para Lá Das Colinas, de Cristian Mungiu

3 - No Nevoeiro, de Sergei Loznitsa

4 - Não, de Pablo Larrain

5 - A Rapariga de Parte Nenhuma, de Jean-Claude Brisseau

6 - Noutro País, de Sang-Soo Hong

7 - Like Someone In Love, de Abbas Kiarostami

8 - Fausto, de Aleksandr Sokurov

 9 - Noiva Prometida, de Rama Burshtein

10 - Tal Pai, Tal Filho, de Hirokazu Koreeda

Para terminar este post, um pequeno balanço do que foi o ano cinéfilo por aqui. E se há algo que tenho obrigatoriamente de destacar é o ciclo da Cinemateca dedicado a Fritz Lang. A nível pessoal foi uma epopeia acompanhar a integral do realizador de «Metropolis», ao longo de dois meses certinhos, e se há conclusão a tirar é que Fritz Lang é, sem sombra de dúvidas, um dos maiores realizadores de todos os tempos. Ao longo de 42 filmes, desde o período mudo ao regresso à Alemanha natal, passando pelo fabuloso período norte-americano (na minha opinião o seu melhor, sem com isso estar a falar mal dos outros períodos), praticamente não há obras fracas na filmografia do cineasta alemão. A única excepção, que desiludiu um bocado foi esse estranho objecto chamado «Guerrilheiros nas Filipinas». Mas a alguém que filmou obra-prima atrás de obra-prima acabamos por perdoar tudo e o saldo final foi claramente positivo. Várias foram as sessões em que tive vontade de levantar-me da cadeira da sala no final e ir a correr bater à porta da sala de projecção pedir ao projeccionista para voltar a passar o filme. Lá me contive e contentei-me com uma pequena recordação desta fantástica saga cinéfila (os bilhetes de todas as sessões):


Em ano de grandes dificuldades para a Cinemateca Portuguesa a realização desta retrospectiva integral dedicada à obra de Fritz Lang é mais do que uma prova de que a instituição sedeada na Barata Salgueiro faz falta e merece ser acarinhada por todos os que gostam de Cinema. Pena que, tal como acontece um pouco por todo o lado, grande parte das sessões esteja vazia e custa assistir a grandes filmes com salas às moscas. Acontece frequentemente e infelizmente aconteceu também em algumas sessões deste ciclo. Para 2014 faço votos que a comunidade cinéfila de Lisboa se vire um bocado mais para a Cinemateca e opte por ver (ou rever) filmes na Barata Salgueiro em vez de se juntar em massa apenas na altura das manifestações em defesa da instituição. Que também fazem falta, é certo, mas quando depois dessas manifestações as pessoas se esquecem de frequentar a Cinemateca, quando ela tanto precisa de ser acarinhada, esse apoio de pouco vale.



2013 foi também um ano de descobertas e aprofundamento do trabalho de vários realizadores, dos quais destaco dois: Yasujiro Ozu e Billy Wylder. Este ano foi também o ano em que tive a oportunidade de ver pela primeira vez a magnífica trilogia de Apu, de Satyajit Ray, um grande nome do Cinema indiano, bem diferente da mais popular Bollywood. E, last but not least, este foi o ano em que (preparem as pedras...) fiz as pazes com o Cinema de Andrei Tarkovsky, cineasta que era para mim quase como que um ódio de estimação. Mas, tal como grande parte dos ódios de estimação, sem qualquer sentido e penitencio-me por durante tantos anos ter estado afastado destes filmes por simples embirração. Ver pela primeira vez «A Infância de Ivan» ou «Andrei Rublov», este último precisamente no grande (enorme) ecrã da Cinemateca há poucos dias, deu-me um novo olhar perante a obra deste grande realizador que será um dos que pretendo aprofundar ao longo do próximo ano.



Um último ponto para finalizar, desta vez um aspecto negativo do ano que agora termina: o encerramento do cinema King. Durante anos, a par da Cinemateca, o King foi a 'minha escola' de Cinema, onde vi filmes que não passavam em mais lado nenhum e que de outra forma não teria visto em sala ou talvez nunca tivesse visto de todo. Ao longo dos últimos anos tenho visto muito Cinema em sala, mas as principais recordações foram precisamente do King, onde vi pela primeira vez filmes de Kiarostami, Elia Suleiman, obras mais arriscadas de nomes como Gus Van Sant, entre muitos outros. Podia dar inúmeros exemplos, mas estes são os primeiros que me vêm à cabeça neste momento. Morreu o King, mas não morreu o Cinema. E esperemos que em 2014 a aposta da Midas no Cinema Ideal venha ocupar de certa forma a brecha deixada em aberto pelo encerramento desta mítica sala de culto lisboeta, praticamente a última das grandes salas dedicadas a este tipo de Cinema.



E pronto, é isto. Resta-me desejar a todos os leitores e seguidores do Shut up and watch the movies um excelente 2014, com a promessa de que vou tentar tornar o blogue mais activo do que esteve ao longo dos últimos meses. Feliz ano novo a todos e bons filmes!!!

terça-feira, 17 de setembro de 2013

Duetos Cinéfilos #15


Música: Metropolis (Kraftwerk)
Filme: Metropolis (Fritz Lang)

Para abrir o apetite para a retrospectiva de Fritz Lang anunciada esta semana pela Cinemateca Portuguesa. A iniciativa vai decorrer entre Outubro e Dezembro, num trimestre que promete ser de redescoberta da obra do cineasta alemão. Além de Lang, vão passar pela Barata Salgueiro as cinematografias de Claude Lanzmann e Alain Cavalier, assim como dois ciclos com filmes oriundos dos arquivos da Cinémathèque Royale de Belgique e da Cineteca di Bologna. Ainda para o final do ano está prometida pela Cinemateca uma homenagem ao trabalho do realizador, produtor e distribuidor de António da Cunha Telles.

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Frankenstein em Hoyuelos

«O Espírito da Colmeia» é um dos mais belos filmes de sempre. Escolher uma só cena do fabuloso filme de estreia de Victor Erice é bastante inglório, mas como este é um blogue de Cinema, parece adequado partilhar a cena da projecção de «Frankenstein» numa sala improvisada na aldeia de Hoyuelos. Muitos são os filmes que conseguem captar o fascínio exercido pela Sétima Arte nos espectadores, mas poucos, raros diria mesmo, conseguem algo tão sublime como esta bela sequência de uma grande pérola do Cinema espanhol. E ter a oportunidade de ver uma tamanha obra prima apresentada pelo seu autor na Cinemateca foi qualquer coisa de extraordinário.

domingo, 8 de setembro de 2013

sábado, 3 de agosto de 2013

Batalha do Pacífico, de Guillermo del Toro (2013)

Os filmes sobre Kaijus (monstros marinhos, em japonês) nunca tiveram grande tradição fora do cinema oriental, mas de vez em quando surgem filmes feitos por cineastas oriundos de outras latitudes que tentam recuperar esse espírito, cujo expoente máximo (ou talvez mais popular) será a célebre série de filmes protagonizada por Gojira, também conhecido como Godzilla. Se este monstro nipónico foi recuperado no final dos anos 1990 por Roland Emmerich, com Godzilla a invadir Manhattan, desta vez foi o mexicano Guillermo del Toro a prestar homenagem ao género, com «Batalha do Pacífico», projecto que agarrou depois de abandonar a adaptação de «O Hobbit».

A abordagem de del Toro vai um pouco mais além da de Emmerich, ao focar o filme num confronto entre a Humanidade e um conjunto de monstros que emerge das profundezas do Pacífico para tomar conta do planeta Terra. A resposta dos humanos contra esta ameaça está nas mãos de um grupo de equipas especiais que controlam gigantescos robots denominados jaegers para defrontar os kaijus. O filme acompanha o confronto final, quando os governos mundiais decidem cortar os fundos desta espécie de projecto militar numa altura em que os monstros estão mais fortes do que nunca. Resta ao líder do projecto um último esforço para derrotar de vez os kaijus, com a ajuda de um antigo piloto de robots caído em desgraça, numa batalha final sem precedentes.

No seu âmago, «Batalha do Pacífico» é uma homenagem sincera a este tipo de cinema fantástico oriundo de terras orientais. Quem cresceu a ver na televisão a série Power Rangers, já uma adaptação norte-americana de um produto japonês, perceberá a lógica deste universo. Mas, tal como geralmente acontece com todas imitações, não é perfeito e acaba por falhar ao tentar alcançar a tal perfeição do material de origem. Aqui tudo é em grande e carregou-se em força no campo dos efeitos especiais para criar excelentes criaturas e robots, esquecendo-se del Toro de algo que parece andar esquecido ultimamente nos blockbusters dos últimos tempos: um equilíbrio bem conseguido entre divertimento e um lado mais sério. O que há em excesso (o lado mais sério, que dá um tom bastante negro à história), falta no campo da diversão. Não há momentos divertidos em «Batalha do Pacífico». E os que há (basicamente as cenas protagonizadas pela dupla de cientistas loucos ao serviço dos heróis e pelo enorme Ron Pearlman, com uma personagem que entra a matar mas acaba por ser desperdiçada), falham um bocado o alvo.

Uma pena, pois apesar de as expectativas em torno de «Batalha do Pacífico» não serem tão grandes quanto isso, esperávamos um pouco mais de Guillermo del Toro, um cineasta que raramente nos desiludiu no passado e regressa à cadeira de realizador cinco anos depois do segundo episódio de «Hellboy». Não é um mau filme para este Verão, onde os blockbusters têm sido bastante fracos, mas podia ser melhor tendo em conta o historial do seu autor. Se há algo que nos deixa é saudades do bom velho del Toro, que esperamos ver de novo em forma no futuro.

Nota: 3/5

sábado, 13 de julho de 2013

Wise man says #1

«The entire conventional approach (as exemplified by even the best American and British films) is wrong. Because the conventional approach tells you that the best way to tell a story is to leave out all except those elements which are directly related to the story, while the master's work clearly indicates that if your theme is strong and simple, then you can include a hundred little apparently irrelevant details which, instead of obscuring the theme, only help to intensify it by contrast, and in addition create the illusion of actuality better.»

Satyajit Ray em 1950, após uma visita a Londres onde 'aprendeu' Cinema durante seis meses a ver filmes. (citação tirada dos extras de uma edição do DVD de «Pather Panchali» («O Lamento da Vereda», título português) e também disponível neste artigo centrado no filme «The Chess Players» e na carreira do realizador indiano)

terça-feira, 9 de julho de 2013

Boudu, Boudu, para onde vais tu?

Há filmes que nos marcam, seja porque razão for. Mais recentemente um dos que teve esse efeito no autor destas linhas (que por estes dias tem andado com falta de tempo para actualizar este espaço) foi «Boudu Querido», uma pérola de Jean Renoir protagonizada por um não menos excelente Michel Simon, em mais uma das suas magníficas criações. E vá-se lá saber porquê este foi um dos títulos de Renoir (cineasta que tenho tido o prazer de vir a descobrir aos poucos na Barata Salgueiro, que mesmo em época de agonia ainda nos dá alguns tesouros a ver) que já andava para ver há tanto tempo e tardou em ser visionado, apesar da insistência de um caro amigo que se fartou de me falar neste filme. Mas, como diz o ditado, vale mais tarde do que nunca. E, verdade seja dita, «Boudu Querido» acabou por ser um dos filmes que mais me marcou ultimamente. Tanto que me deu para escrever algumas linhas sobre o filme. Não farão inteira justiça ao filme, pois não me sinto à altura de conseguir escrever algo de jeito sobre tamanha obra-prima (nem mesmo sobre qualquer obra de Renoir, já agora) à espera de ser descoberta por quem ainda não o fez. E se conseguir fazer com que alguém vá a correr ver esta preciosidade depois de ler este post, já me dou por contente.

Não sei de onde vem o fascínio pela personagem de Boudu, um vagabundo parisiense com uma pequena costela de anarca que é salvo do suicídio por um livreiro de classe média que resolve intervir quando o anti-herói desta história se resolve atirar ao Sena. Mas muito provavelmente vem do contexto pessoal (e quiçá nacional, pois como diz o outro, isto no fundo anda tudo ligado) que tenho vivido nestes últimos tempos e que me fez pensar que no fundo, no fundo, o Boudu é que tinha razão. E se foi salvo das águas para não morrer (e neste aspecto o título original - «Boudu Sauvé Des Eaux» - acaba por ser muito mais adequado, ao contrário da tradução para português, algo infeliz, mas não de todo incorrecta), às águas irá tornar para se salvar da 'vida mundana' que lhe querem oferecer (ou impingir, se preferirmos em português correcto) quando, através de um golpe de fortuna, consegue ficar rico. Mas as riquezas nada dizem a Boudu, que antes prefere a companhia dos animais à dos homens, mais interessados na fortuna monetária de Boudu do que na sua pessoa.

Mas mais não digo, pois acho que o melhor é mesmo fazerem um favor a vocês próprios e seguirem este link para descobrir o magnífico Boudu. Não é a melhor forma de o fazer, mas à falta de melhor, não é má de todo. E a versão que aqui está é magnífica, pois alguém teve a excelente ideia de colocar no YouTube uma versão restaurada do filme. Agora, como diria outro Grande (assim mesmo, com G maiúsculo) do Cinema, apetece também lembrar uma bela frase de «Recordações da Casa Amarela» a propósito da personagem de Boudu: «Vai e dá-lhes que fazer».

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Duetos Cinéfilos #14


Música: Disorder (Joy Division)
Filme: 2001: Odisseia no Espaço (Stanley Kubrick)

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Cenas #3


In God(ard) we trust.
(cena de «O Acossado», a longa-metragem de estreia de Jean-Luc Godard)

quinta-feira, 13 de junho de 2013

O digital é muito bonito...

...mas a película há-de ser sempre a película. Seja como for, fica uma sugestão para este fim-de-semana: aproveitar a onda de reposições de clássicos para ver (ou rever) no grande ecrã o filme «Até à Eternidade», de Fred Zinnemann. Não é o «Lawrence da Arábia» ou o «Vertigo», mas não deixa de ser um filme que vale a pena ver. E muito provavelmente o melhor no conjunto de estreias desta semana (o que diz muito sobre o estado do cinema nos dias de hoje, mas isso são contas para outro rosário). Para abrir o apetite fica uma das cenas mais marcantes do filme.


segunda-feira, 10 de junho de 2013

Leitura recomendada: o trabalho de arte de «Blade Runner»


Para os fãs da ficção científica mais séria «Blade Runner - Perigo Iminente» é considerado como um dos grandes clássicos do género. Realizado em 1982 por Ridley Scott a partir de uma novela de Philip K. Dick («Do Androids Dream of Electric Sheep?»), é um dos grandes filmes de culto da década de 1980, de tal forma que há várias versões do filme, todas reunidas em edições especiais do filme que foram saindo ao longo dos últimos anos. Na altura da estreia da primeira versão chegou aos escaparates um pequeno livrinho com imagens do trabalho de arte do filme, onde se pode ver a génese do projecto de Ridley Scott antes de chegar ao grande ecrã. Apesar de ser difícil de encontrar a versão em papel, alguém se lembrou de colocar on-line uma versão digital de «Blade Runner Sketchbook», que pode ser visualizada aqui. Um pequeno brinde para os fãs de um dos melhores filmes de ficção científica de sempre e de toda a obra de Ridley Scott.
Via Open Culture

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Cenas #2

A Coleccionadora, de Eric Rohmer

Com o calor a chegar, vale a pena recordar um bom filme de Eric Rohmer, um dos realizadores que melhor soube filmar os mistérios do amor.

segunda-feira, 3 de junho de 2013

A Palma das palmas, segundo o CCOP

Para aproveitar a vaga do Festival de Cannes, o Círculo de Críticos Online Portugueses (CCOP) acaba de divulgar os resultados de um top especial dedicado a um dos principais festivais de cinema do mundo. Com o objectivo de escolher a melhor Palma de Ouro atribuída durante o certame, os membros do CCOP foram convidados a votar nos filmes que obtiveram tal distinção. E o filme melhor classificado foi...«Apocalipse Now», de Francis Ford Coppola, o épico sobre a Guerra do Vietname que marcou a carreira do cineasta, para o bem e para o mal, que alcançou uma média de 9,60 (em 10). O segundo lugar deste top foi para um filme assinado por um outro realizador norte-americano da mesma geração, Martin Scorsese, por «Taxi Driver», Palma de Ouro em 1976 (com uma média de 9,33 em 10). Na terceira posição, a fechar o pódio, «O Leopardo», de Luchino Visconti, com uma média de 9,17. Os restantes resultados podem ser consultados na íntegra aqui.

terça-feira, 28 de maio de 2013

Duetos Cinéfilos #13


Música: The White Lady Loves You More (Elliot Smith)
Filme: Rosetta (Jean-Pierre e Luc Dardenne)

segunda-feira, 27 de maio de 2013

O Grande Gatsby, de Baz Luhrmann (2013)

É fácil embirrar com um filme como «O Grande Gatsby», a versão de Baz Luhrmann do clássico escrito por Francis Scott Fitzgerald considerado por muitos como um dos grandes livros sobre o período dos loucos anos 20 do século passado e uma das principais obras da literatura norte-americana. Tal como fizera com «Romeu e Julieta», o realizador australiano continua a dar a volta às regras do jogo e recria o material de origem à sua maneira, com um estilo bastante peculiar. Se na versão da peça de Shakespeare Luhrmann traz a tragédia do bardo inglês para os dias de hoje, desta vez a acção permanece no período dos anos 1920 originais, mas, como é apanágio do cineasta, com alguns elementos estranhos à tal época. Um desses elementos é a banda sonora, onde as loucas festas por onde andam as principais personagens de «O Grande Gatsby» deixam de ter a música de época, substituída por ritmos mais actuais, com algum pendor nos ritmos hip hop.

Baz Luhrmann já tinha feito algumas 'experiências' musicais anteriormente em «Moulin Rouge», mas nesse caso o estranho até se entranha. Em «O Grande Gatsby», pelo contrário, a banda sonora acaba por não funcionar de todo e tem o efeito contrário, provocando até algum efeito de distracção que não é sequer suficiente para esconder o que o filme é: um objecto oco, onde a revisitação da obra de Fitzgerald, mesmo que seja adaptada de forma bastante fiel, é uma pálida versão do original. Numa das sequências, a festa no apartamento de Nova Iorque onde Tom se encontra com a amante, chegamos mesmo a temer começar a ouvir os acordes de «Harlem Shake», um dos fenómenos virais mais recentes.

O resto é puro estilo Luhrmann: muita cor a invadir o ecrã por todos os lados (até percebemos que se pretenda enfatizar esse lado mais excêntrico da personagem de Gatsby e das suas loucas festas, mas a partir de certa altura começa a enjoar) e pouco se entra dentro das personagens que passam pelo universo da genial obra de Fitzgerald, onde estaria o grande desafio de adaptar um livro destes. E se há livros com personagens interessantes para explorar, logo a começar pela que dá título ao livro, «O Grande Gatsby» é um desses livros. Pena que nem Leonardo DiCaprio, que podia ter sido uma boa escolha para interpretar o papel de Gatsby, consiga uma interpretação à altura de outras que conseguiu recentemente, optando por um estilo demasiado exagerado para dar vida à personagem.

Em suma, se tivéssemos de escolher uma frase para definir «O Grande Gatsby» segundo Baz Luhrmann optaríamos pelo ditado popular «muita parra e pouca uva». Mas preferimos deixar um conselho de amigo: se tiver oportunidade leia o livro, a experiência será muito melhor.

Classificação: 2/5

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Abril com novo líder no top anual do CCOP

Novas mexidas no top anual do Círculo de Críticos Online Portugueses (CCOP), com a entrada de «No», de Pablo Larrain, para o primeiro lugar da lista, destronando o anterior líder da tabela: «A Caça». Em Abril de 2013 os filmes preferidos dos membros do CCOP foram «No», com uma média de 8,43 (em 10), «Fausto», de Aleksandr Sokurov (com uma média de 7,40 em 10), e «Os Amantes Passageiros», o mais recente filme de Pedro Almodóvar (com uma média de 7,25). Destes três filmes, apenas os dois primeiros chegaram ao top anual. Além do filme chileno, que lidera o top, também o vencedor do Leão de Ouro na edição de 2011 do Festival de Cinema de Veneza chegou à tabela principal do CCOP, ocupando agora a nona posição. Os resultados completos do top de Abril do CCOP podem ser consultados aqui.

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Um Planeta Solitário, de Julia Loktev (2011)

Com dois anos de atraso, depois de uma passagem pela edição de 2012 do IndieLisboa, chega às salas de cinema portuguesas «Um Planeta Solitário». Nesta segunda obra de Julia Loktev a relação de um jovem casal em viagem pela Geórgia, protagonizado por Hani Furstenberg e Gael García Bernal, é posta em causa depois de um encontro acidental com membros de uma comunidade local. A partir desse estranho incidente, que coloca em risco a vida dos dois sem que o guia que os acompanha possa fazer algo (e também nunca chegamos a saber bem o que se passa, pois a única personagem capaz de entender as intenções do grupo, o próprio guia, não revela o que eles disseram), o comportamento dos dois muda e a cumplicidade da relação deixa de estar presente, como se o par tivesse passado um ponto de não retorno.

«Um Planeta Solitário» parte de uma boa premissa e conta com uma realização competente de uma cineasta praticamente desconhecida, com apenas duas outras obras no currículo, uma das quais também chegou a passar pelo IndieLisboa há uns anos. Mas acaba por falhar quando podia dar um resultado melhor. Apesar da excelente química entre o par protagonista, a que se junta uma outra boa prestação de Bidzina Gujabidze, que interpreta o guia, o filme pouco mais é do que o vaguear das três personagens pelas montanhas georgianas, que custa a arrancar (apesar de muito andarem as personagens do filme), como se Julia Loktev quisesse enfatizar a força da paisagem perante a pequenez daqueles três viajantes. E os próprios dilemas que assolam as personagens, sobretudo a partir do momento em que se dá o tal encontro com os habitantes das montanhas, são pouco explorados quando havia uma enorme margem de manobra para nos mostrarem um pouco mais das personagens.

Por muito que nos fascinem as belas paisagens do Cáucaso filmadas por Julia Loktev, o resultado final acaba por se tornar de certa forma um objecto enfadonho e «Um Planeta Solitário» mais um daqueles filmes que bem podia ter perdido alguns minutos na sala de montagem.

Classificação: 2/5

segunda-feira, 20 de maio de 2013