quinta-feira, 18 de abril de 2013

Sugestões para o IndieLisboa 2013: dia 28 de Abril


Dia 28 de Abril, 18h00, Cinema São Jorge (Sala Manoel de Oliveira)
«Frances Ha», de Noah Baumbach
É um dos regressos mais aguardados do ano para quem gosta do cinema independente norte-americano mais mainstream. O novo filme de Noah Baumbach, colaborador de Wes Anderson no passado (e só por isso já merecia a sugestão), vai passar pelo Indie e traz-nos Greta Gerwig (que também assina o argumento em parceria com o realizador) como uma bailarina que se sente atraída pela sua melhor amiga, sem a parte sexual. Em pano de fundo a cidade de Nova Iorque em tons de preto e branco. Uma oportunidade de assistir ao regresso de Baumbach ao Cinema, antes de uma (esperemos que) previsível estreia comercial ainda este ano. (sinopse e trailer)



Dia 28 de Abril, 21h30, Cinema City Classic Alvalade (Sala 1)
«Shirley - Visions of Reality», de Gustav Deutsch
Não é a primeira vez que a pintura inspira o Cinema e sem dúvida que não será a última. Em «Shirley - Visions of Reality» Gustav Deutsch parte das pinturas de Edward Hopper para nos mostrar 13 'cenas' da vida de Shirley, uma actriz ficcional, e ao mesmo tempo fazer uma série de reflexões sobre vários questões, desde o papel feminino ao teatro, entre outras. Uma sugestão para terminar o Indie, num universo onde duas artes se cruzam. (sinopse)

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Sugestões para o IndieLisboa 2013: dia 27 de Abril


Dia 27 de Abril, 15h30, Cinemateca (Sala Dr. Félix Ribeiro)
«O Homem Sem Braços», de Tod Browning
Outro clássico a não perder na secção Director's Cut na Cinemateca é «O Homem Sem Braços», um dos filmes que juntou dois nomes grandes do Cinema Mudo: Tod Browning e Lon Chaney, uma das duplas mais famosas daquela época. Considerado como um dos mais bizarros filmes de Browning, a acção de «O Homem Sem Braços» tem lugar num circo onde um dos artistas resolve amputar os braços para tentar conquistar uma colega de profissão. O clássico de Browning está programado para complementar «A Messenger From The Shadows (Notes on Film 06 A/Monologue 01)», de Norbert Pfaffenbichler, um filme experimentalista baseado em Lon Channey, conhecido como o «Homem das Mil Faces». (sinopse de «O Homem Sem Braços»; sinopse de «A Messenger From The Shadows (Notes on Film 06 A/Monologue 01)»)



Dia 27 de Abril, 23h59, Cinema City Classic Alvalade (Sala 2)
«A Liar's Autobiograpy», de Ben Timlett, Jeff Simpson e Bill Jones
Para quem tiver saudades dos Monty Python a edição deste ano do Indie vai apresentar uma espécie de autobiografia de Graham Chapman, o membro da trupe de comediantes britânica falecido no final da década de 1980. Criado a partir de uma autobiografia ficcionada da autoria do próprio Chapman, «A Liar's Autobiography» é um filme animado que conta com a voz do comediante (que chegou a gravar a sua autobiografia) e dos restantes membros do colectivo, assim como de convidados especiais. Mais um momento de antologia recordar os geniais comediantes britânicos. (sinopse)

terça-feira, 16 de abril de 2013

Sugestões para o IndieLisboa 2013: dia 26 de Abril


Dia 26 de Abril, 15h30, Cinemateca (Sala Dr. Félix Ribeiro)
«Os Carabineiros», de Jean-Luc Godard
Uma das particularidades da edição deste ano do Indie surge na secção Director's Cut, dedicada a filmes sobre Cinema ou a restaurações de obras chave da Sétima Arte. Em 2013 esta secção do festival, uma vez mais em parceria com a Cinemateca, coloca as escolhas da programação do festival em espelho com alguns filmes clássicos. Um deles é «Os Carabineiros, um dos primeiros filmes de Jean-Luc Godard, realizado em 1963, um filme absurdo sobre o mais absurdo dos temas: a Guerra. A obra de Godard passa em espelho com «Jean-Louis Comolli, filmer pour voir!», um retrato de Jean-Louis Comolli, cineasta e actor francês, proveniente da 'escola' dos Cahiers do Cinema, em formato documentário assinado por Ginette Lavigne.


Dia 26 de Abril, 21h45, Cinema São Jorge (Sala Manoel de Oliveira)
«Sightseers», de Ben Wheatley
«Sightseers» chega ao Indie depois de ter sido bem recebido um pouco por todo o lado no ano passado, tanto a nível da crítica, como em alguns festivais por onde passou, por isso tem gerado algumas expectativas. Esta comédia negra acompanha a viagem de um casal de caravanistas por terras rurais britânicas que acaba por se revelar algo mais do que dois simples amantes da natureza à procura de um pouco de calma e respeito por parte dos outros viajantes. O par é interpretado por dois dos argumentistas do filme, os comediantes Steve Oram e Alice Lowe. (sinopse e trailer)

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Sugestões para o IndieLisboa 2013: dia 25 de Abril


 Dia 25 de Abril, 14h30, Cinema City Classic Alvalade (Sala 1)
«Amsterdam Stories USA», de Rob Rombout e Rogier Van Eck
Gigante é um bom adjectivo para classificar «Amsterdam Stories USA». Com a duração de 360 minutos, esta sessão apresenta um documentário realizado por dois directores de ascendência holandesa que percorreram os EUA para visitar 15 pequenas cidades que têm uma coisa em comum: partilham o nome com a capital da Holanda. Ao longo das seis horas de duração do filme, dividido em capítulos de 90 minutos cada, vamos ao encontro das personagens destas pequenas localidades que nos contam histórias do presente e passado dos EUA. Uma viagem de grande fôlego para conhecer um outro lado dos EUA.



 Dia 25 de Abril, 21h45, Cinema São Jorge (Sala Manoel de Oliveira)
«Spring Breakers», de Harmony Korine
«Spring Breakers» é um dos acontecimentos do Indie este ano. Assinado por Harmony Korine, antigo colaborador de Larry Clark, para quem escreveu o argumento de «Kids», o polémico novo filme do cineasta norte-americano junta um grupo de adolescentes ricas de Los Angeles, algumas oriundas de programas da Disney, a James Franco, no papel de um gangster dos tempos modernos que já se tornou icónico, pelo menos no que diz respeito à imagem. O filme passa em ante-estreia no festival numa sessão especial para fãs, com direito a uma festa no Ritz Clube no final. (mais informações aqui) (sinopse e trailer)

domingo, 14 de abril de 2013

Sugestões para o IndieLisboa 2013: dia 24 de Abril


Dia 24 de Abril, 16h45, Culturgest (Pequeno Auditório)
«The First Winter», de Ryan McKenna
Do Canadá vem um filme com sabor português. Uma co-produção luso-canadiana, «The First Winter» conta o que acontece quando um jovem português vai para terras canadianas visitar uma rapariga que engravidou. Com influências do universo de Aki Kaurismaki, o filme de Ryan McKenna é um relato do primeiro inverno do português no Inverno do Canadá e os contrastes entre duas culturas diferentes. (sinopse)



Dia 24 de Abril, 21h30, Culturgest (Grande Auditório)
«A Batalha de Tabatô», de João Viana
Outro dos pratos fortes do dia também tem um toque português e está presente na Competição Internacional e Nacional do IndieLisboa em 2013. Filmado em África, «A Batalha de Tabatô» chega ao festival lisboeta após ter saído de Berlim com uma menção especial que distinguiu o trabalho de João Viana e poderá ser uma das grandes surpresas do ano, prova de que o Cinema português continua a dar cartas, está vivo e recomenda-se. (sinopse e trailer)

sábado, 13 de abril de 2013

Sugestões para o IndieLisboa 2013: dia 23 de Abril


Dia 23 de Abril, 17h00, Cinema City Classic Alvalade (Sala 2)
«Models», de Ulrich Seidl
Um retrato sobre as expectativas e a realidade das jovens modelos no final da década de 1990 é a proposta de Ulrich Seidl em «Models». Neste documentário a lupa do cineasta austríaco em destaque no IndieLisboa foca-se no dia-a-dia e nos problemas diários destas jovens para além das passerelles e do glamour associado à profissão. (sinopse)



Dia 23 de Abril, 21h45, Cinema São Jorge (Sala Manoel de Oliveira)
«The Rolling Stones - Charlie Is My Darling - Ireland '65», de Michael Gochanour e Peter Whitehead
Ao contrário dos anos anteriores a secção IndieMusic de 2013 não é das mais fortes. Contudo há um filme a merecer alguma atenção. «The Rolling Stones - Charlie Is My Darling - Ireland '65» é uma nova versão, restaurada e alargada, de um documentário original de 1965, ano em que Peter Whitehead acompanhou Mick Jagger e companhia numa digressão pela Irlanda, dentro e fora de palco. Oportunidade para revisitar o início e a juventude de uma das maiores bandas de rock do mundo. (sinopse)

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Sugestões para o IndieLisboa 2013: dia 22 de Abril


Dia 22 de Abril, 16h45, Cinema City Classic Alvalade (Sala 1)
«Gimme The Loot», de Adam Leon
Uma das minhas paixões, além do Cinema, é a Street Art (quem segue o blogue conhece essa minha faceta através da rubrica «Street Art Meets Cinema»), por isso não poderia deixar de recomendar «Gimme The Loot», a história de dois jovens nova-iorquinos que partilham em comum o gosto pelos graffiti que pintam nas ruas de Nova Iorque. A estreia de Adam Leon nas longas metragens, com um filme que lhe garantiu o prémio «Someone To Watch» na última edição dos Independent Spirit Awards («Gimme The Loot» esteve ainda nomeado para Melhor Primeira Obra), é um dos destaques na secção Cinema Emergente do festival. (sinopse e trailer)


Dia 22 de Abril, 21h45, Cinema São Jorge (Sala Manoel de Oliveira)
«Simon Killer», de Antonio Campos
Também de Nova Iorque vem Antonio Campos, um dos nomes consagrados do cinema independente norte-americano que traz ao IndieLisboa «Simon Killer». A sua mais recente longa, após a bem sucedida estreia com «Afterschool», troca a cidade que nunca dorme por Paris, onde um estudante universitário tenta recuperar do trauma do fim de uma relação amorosa. «Simon Killer» é um dos pratos fortes da competição internacional do festival. (sinopse)

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Sugestões para o IndieLisboa 2013: dia 21 de Abril


 Dia 21 de Abril, 15h30, Cinema São Jorge (Sala Manoel de Oliveira)
«Thy Womb», de Brillante Mendoza
Outro dos nomes fortes a marcar presença no Indie em 2013 é Brillante Mendoza. Depois de «Cativos», filme que estreia esta semana nas salas portuguesas e conta com a presença de Isabelle Huppert no elenco, o realizador filipino traz-nos uma história sobre a maternidade e o papel da mulher no seio de uma comunidade muçulmana numa ilha remota do arquipélago asiático. Prevê-se um regresso às origens de filmes como «Lola» ou «Kinatay». (sinopse)



Dia 21 de Abril, 21h30, Culturgest (Grande Auditório)
«Paradise: Hope», de Ulrich Seidl
O primeiro fim de semana do festival termina com o encerramento da trilogia «Paradise», de Ulrich Seidl. No derradeiro episódio da trilogia o cineasta austríaco conta a história de Meli, filha de Teresa e sobrinha de Anna Maria, protagonistas dos outros dois filmes da série, uma adolescente com problemas de obesidade que vai para uma colónia de férias com o objectivo de perder peso. O objectivo acaba por ser posto de parte quando a jovem se apaixona por um dos médicos da colónia, num filme dedicado ao tema da Esperança. (sinopse e trailer)

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Sugestões para o IndieLisboa 2013: dia 20 de Abril

 Dia 20 de Abril, 15h45, Cinema City Classic Alvalade (Sala 2)
«Le Grand Soir», de Benoît Delépine e Gustave Kervern
A dupla Benoît Delépine e Gustave Kervern é presença regular no Indie desde a edição de 2005 do festival, quando apresentaram a concurso «Aaltra», uma comédia negra (género que têm vindo a explorar desde então em filmes como «Louise-Michel» ou «Mammuth») com um piscar de olho a Aki Kaurismaki, que tem um pequeno cameo no filme. Este ano trazem à secção Cinema Emergente a sua mais recente longa metragem, «Le Grand Soir», e prometem mais do mesmo com a história de dois irmãos quarentões para quem o punk não morreu. Em pano de fundo um retrato ácido da economia e do mercado laboral, temas que estão presentes nos seus anteriores filmes. (sinopse e trailer)

Dia 20 de Abril, 18h00, Culturgest (Grande Auditório)
«Paradise: Faith», de Ulrich Seidl
A segunda parte de «Paradise», de Ulrich Seidl, é outro dos destaques do terceiro dia do IndieLisboa. No capítulo central da trilogia que o cineasta traz ao festival a história centra-se no tema da Fé a partir da personagem de Anna Maria (irmã de Teresa, personagem principal do primeiro filme da trilogia), uma católica fervorosa que tem de lidar com o regresso do seu marido, um muçulmano egípcio que ficou paraplégico na sequência de um acidente. A forma como ambas as personagens lidam com a sua Fé extrema vai servir para Seidl explorar o tema sob um olhar provocador. (sinopse e trailer)

terça-feira, 9 de abril de 2013

Sugestões para o IndieLisboa 2013: dias 18 e 19 de Abril

Está prestes a arrancar mais uma edição do IndieLisboa (o programa pode ser consultado aqui), um dos principais festivais de Cinema lisboetas, que este ano comemora o seu décimo aniversário. Tal como aconteceu nos anos anteriores durante aqueles dias não farei muito mais além de ver filmes e descobrir algumas obras que muito provavelmente dificilmente voltarei a ver, pelo menos em sala. Para antecipar o início das festividades, marcado para o próximo dia 18 de Abril, ao longo dos próximos dias vou publicar uma série de posts com algumas sugestões (pessoais) de sessões a ver durante o IndieLisboa. São duas propostas por dia, com excepção do primeiro dia do festival, onde as sessões decorrem praticamente em simultâneo, e do segundo dia (devido à série de documentários de Werner Herzog sobre a pena de morte, que vai passar em duas sessões diferentes), e pode ser visto quase como um guia para quem estiver interessado em comprar a caderneta de 20 bilhetes, apesar de serem 22 as sessões a deste 'guia'. Sem mais demoras, seguimos então para as sugestões para os dias 18 e 19 de Abril:

Dia 18 de Abril, 21h30, Culturgest (Grande Auditório)
«Paradise: Love», de Ulrich Seidl
Apesar de a edição deste ano do IndieLisboa abrir com chave de ouro, com a apresentação em antestreia de «No», de Pablo Larraín (nome conhecido dos adeptos do festival, que tiveram oportunidade de ver em edições anteriores os filmes «Tony Manero» e «Post Mortem»), que foi um dos nomeados ao Óscar de Melhor Filme Estrangeiro este ano, o destaque do primeiro dia do festival vai para «Paradise: Love», de Ulrich Seidl, um dos nomes em foco na presente edição do festival. O filme faz parte de uma trilogia focada na visão de três personagens diferentes (mãe, irmã e filha), cada um visto a partir da perspectiva de uma das personagens. «Paradise: Love» é o primeiro filme da trilogia, a mãe. (sinopse e trailer)

Dia 19 de Abril, 17h00 e 21h45, Cinema City Classic Alvalade (Sala 2)
«Death Row», de Werner Herzog
Werner Herzog, Herói Independente de 2009, está de regresso ao Indie com um tema que já tinha trazido ao festival na edição do ano passado. Na senda de «Into The Abyss», documentário sobre a pena de morte nos EUA que passou na última edição do Indie, desta vez o alemão apresenta quatro retratos de criminosos condenados à pena capital nos estados da Flórida e Texas. Estes retratos, divididos em quatro partes, vão passar em duas sessões com dois documentários cada. Daí uma das excepções deste conjunto de propostas. (sinopse)

Dia 19 de Abril,  19h00, Cinema City Classic Alvalade (Sala 1)
«Rocker», de Marian Crisan
Nos últimos anos a Roménia tem sido a origem de algumas das melhores obras do cinema europeu e também no Indie tem havido espaço para descobrir alguns destes cineastas do chamado Novo Cinema Romeno, movimento que também já foi homenageado no festival em 2008 na secção Herói Independente. Este ano o único representante do contingente romeno é Marian Crisan, repetente no Indie, onde apresentou a sua obra de estreia «Morgen» em 2010. Motivos mais do que suficientes para sabermos se o cinema romeno continua de boa saúde. (sinopse)

sexta-feira, 5 de abril de 2013

10 Filmes: Nova Iorque

A propósito do regresso de «Taxi Driver» às salas de cinema é tempo de apresentar mais uma proposta de 10 filmes temáticos. Desta vez o tema é Nova Iorque e a lista que se segue apresenta 10 filmes que têm a cidade que nunca dorme como pano de fundo. Por razões óbvias o clássico de Martin Scorsese fica de fora, mas os restantes filmes desta pequena lista (e quantos ficaram de fora...) são todos um bom pretexto para ver ou rever bom Cinema. Como sempre, propostas alternativas são bem-vindas na caixa de comentários. E um conselho: consultar a lista ao som desta música.

Há Lodo no Cais, de Elia Kazan (1954)

Mentira Maldita, de Alexander Mackendrick (1957)

O Apartamento, de Billy Wilder (1960)

Empire, de Andy Wahrol (1964)

Manhattan, de Woody Allen (1979)

Os Selvagens da Noite, de Walter Hill (1979)

Era Uma Vez na América, de Sergio Leone (1984)

Polícia Sem Lei, de Abel Ferrara (1992)

A Última Hora, de Spike Lee (2002)

 Vergonha, de Steve McQueen (2011)

quinta-feira, 4 de abril de 2013

A Caça, de Thomas Vinterberg (2012)

(crítica com spoilers)
Algo vai mal no Reino da Dinamarca é uma das mais famosas expressões de «Hamlet», a popular peça de teatro de William Shakespeare. Se o bardo inglês fosse vivo e gostasse de Cinema talvez não dissesse o mesmo sobre o actual estado do cinema que se faz por terras dinamarquesas. Em poucas semanas estrearam dois bons filmes oriundos daquele país: «Um Caso Real», de Nikolaj Arcel, filme que foi a escolha dinamarquesa para os Óscares, e «A Caça», de Thomas Vinterberg. E se ambos os filmes são recomendáveis, mesmo sendo completamente diferentes e eventualmente dirigidos a públicos diferentes (um é um drama histórico e o outro um drama bastante actual), o regresso de Thomas Vinterberg, companheiro de von Trier nos tempos do Dogma 95, merece ser destacado pois é até agora a melhor obra que tive oportunidade de ver em sala este ano.

Tendo como cenário uma pequena localidade, onde todos se conhecem, o filme relata o que acontece a Lucas (Mads Mikkelsen), um funcionário de um jardim de infância, quando uma das crianças afirma ter tido contactos sexuais com ele. Numa comunidade pequena como aquela o rumor espalha-se num instante e o antigo cidadão exemplar acaba por ser posto de parte e ninguém acredita na sua versão dos acontecimentos, condenando-o por algo que não fez (uma acusação gravíssima, tendo em conta o tipo de crime de que Lucas é acusado) e com base num relato confuso. No final tudo leva a crer que o assunto ficou resolvido, a comunidade está de novo junta, mas as últimas sequências, em jeito de epílogo, provam que não será bem assim e há certas coisas que não voltarão a ser as mesmas. Por muito que as aparências nos tentem contradizer é isso que nos quer dizer aquele brilhante final na floresta, apesar de ser de certa forma previsível, onde não sabemos quem é o caçador que ataca Lucas (podia ser qualquer um dos seus amigos ou um simples membro da comunidade).

E é aqui que Vinterberg, que disse em várias entrevistas que o objectivo de «A Caça» foi mostrar uma caça às bruxas nos dias de hoje, nos leva a pensar a sério no assunto. O que se passa ali podia passar-se em qualquer sítio. Não terá sido à toa que o realizador não quis dar um nome à localidade onde decorre a acção do filme, dizemos nós. E custa levar com um murro daqueles no estômago, pois é complicado saber o que fazer numa situação daquelas, onde a vítima não foi a criança, que como se fartam de dizer os membros da comunidade, não mente, mas sim um adulto, acusado de um dos piores crimes, acusação essa que dificilmente conseguirá limpar. Fica-lhe pegada à pele, como uma tatuagem que não sai. Estar do lado da comunidade (numa das entrevistas a propósito do filme Vinterberg admite que estas são inocentes naquilo que fazem - e no fundo talvez assim seja, pois têm uma reacção que muitos julgam ser a normal num caso daqueles e querem proteger os mais fracos) ou de alguém que é acusado de ter abusado de uma criança. No nosso lugar é relativamente fácil, pois sabemos que nada se passou, mas não é fácil ajuizar a reacção daquelas pessoas, pois não sabem que o que estão a fazer tem por base uma mentira.

No meio disto tudo temos uma excelente interpretação de Mads Mikkelsen, no papel de Lucas, que dá tudo o que tem para criar aquela personagem, sem nunca parecer demasiado forçado no papel do inocente condenado por algo que não cometeu. Faz-nos lembrar, com as devidas distâncias, um outro inocente condenado por um crime que não cometeu: o Joe Wilson, de «Fúria», o clássico de Fritz Lang. Mas em «A Caça» o tema é muito mais actual e os acontecimentos relatados no filme de Vinterberg bem poderiam ter lugar noutras latitudes, pois no fundo o filme não é mais do que um retrato de uma comunidade (e porque não um retrato de pessoas) a braços com um caso específico. E dá que pensar, mesmo passadas várias horas após o visionamento, sobre o que uma mentira inocente pode fazer para destruir a vida de alguém.

Classificação: 5/5

quarta-feira, 3 de abril de 2013

terça-feira, 2 de abril de 2013

Indiana Jones revisitado




Por esse mundo fora (e nos dias de hoje quase que podíamos dizer por essa Internet fora) há inúmeros exemplos de homenagens ao Cinema, a arte da ilusão (como diriam os habitantes de Macondo) que muito nos faz sonhar com universos diferentes daquele onde vivemos. Foi num desses passeios pela Net, mais concretamente pelo YouTube, que me deparei com uma dessas homenagens: uma versão amadora de «Indiana Jones e os Salteadores da Arca Perdida», o clássico de Steven Spielberg que por sua vez já era uma homenagem aos filmes de aventuras que o levaram a apaixonar pela Sétima Arte em criança. A título pessoal esta homenagem toca-me particularmente pois este foi um dos filmes que mais me cativou nos anos de juventude e fez de Indiana Jones ainda hoje um dos meus heróis favoritos no Cinema. Daí ter achado curiosa esta versão do primeiro filme de Indy criada por três jovens fãs do filme na década de 1980. Segundo a nota de introdução ao vídeo, disponível na íntegra no YouTube, esta revisitação das primeiras aventuras de Indiana Jones foi feita ao longo de sete anos por três jovens do Mississipi chamados Chris Strompolos, Eric Zala e Jayson Lamb, que seguiram à risca o guião original do filme e filmaram-no plano a plano. O resultado final pode ser visto aqui.

sábado, 30 de março de 2013

Quando o Cinema chegou a Macondo

A aldeia de Macondo não existe, a não ser na mente do escritor colombiano Gabriel García Marquez que inventou o pequeno povoado onde decorre a acção de «Cem Anos de Solidão», o delicioso livro por onde me 'perdi' durante os últimos dias de chuva. Numa das suas passagens, que transcrevo a seguir, é descrita a forma como o Cinema foi recebido na pequena localidade, pouco depois de o recém-chegado comboio ter trazido electricidade a Macondo. E a descrição deste acontecimento, como muitos outros no livro, é fabulosa, ao relatar a surpresa e o espanto que esta nova arte provocou nos habitantes da aldeia. (o resto do livro também é fantástico, mas esta passagem merece ser partilhada por aqui).

«(...) Indignaram-se com as imagens vivas que o próspero comerciante Bruno Crespi projectava no teatro com bilheteiras em forma de boca de leão, porque um personagem morto e enterrado no filme, por cuja desgraça se choraram lágrimas de aflição, reapareceu vivo e transformado em árabe no filme seguinte. O público, que pagava dois centavos para participar das desventuras dos personagens, não pôde suportar aquela fraude inaudita e partiu as cadeiras da sala. O alcaide, instado por Dom Bruno Crespi, explicou num édito que o cinema era uma máquina de ilusões que não merecia as reacções passionais do público. Ao ouvirem aquela explicação desencorajadora, muitos acharam que tinham sido vítimas de um novo e aparatoso truque de ciganos, de modo que optaram por não voltar ao cinema, concluindo que já tinham o suficiente com as suas próprias dores para chorar pelas desventuras fingidas de seres imaginários. (...)»

in «Cem Anos de Solidão», de Gabriel García Marquez

sexta-feira, 29 de março de 2013

Antes do Ford e do Leone


Foi este senhor (sempre acompanhado pelo temível Bud Spencer, também conhecido como inspector Martelada noutras andanças) que me abriu as portas aos westerns, quando ainda nem sequer sonhava que me iria apaixonar a sério pela Sétima Arte. Parabéns Terence Hill, criador de um dos meus heróis de infância: Trinitá.

quinta-feira, 28 de março de 2013

Sete Psicopatas, de Martin McDonagh (2012)

Quando estreou a sua primeira obra, o fabuloso «Em Bruges», Martin McDonagh provou ser dono de um refinado humor negro. Quatro anos depois o realizador britânico regressou e trouxe consigo uma dose ainda maior desse humor negríssimo, tão ao gosto das terras de sua majestade. Tal como o seu filme anterior, «Sete Psicopatas» conta com a presença de Colin Farrell no papel principal, mas como brinde o cineasta conseguiu ainda reunir um elenco de luxo onde encontramos nomes como Sam Rockwell, Christopher Walken ou Woody Harrelson, para referir apenas os nomes mais sonantes. Podíamos ainda acrescentar os nomes de Michael Pitt, Harry Dean Stanton ou Tom Waits, mas o texto acabaria por se tornar chato.

E chato não é um bom adjectivo para definir «Sete Psicopatas», a história de Marty (Farrell), um argumentista com problemas de álcool que está com dificuldades para escrever o seu próximo filme, chamado precisamente «Sete Psicopatas». É aqui que entra em cena o seu melhor amigo Billy (Rockwell), que se oferece para o ajudar a escrever o argumento. Acontece que Billy é um fura vidas que neste momento se dedica à lucrativa actividade de rapto de cães, animais que rapta para depois entregar aos seus donos e assim receber a recompensa. O negócio começa a dar para o torto quando Billy e o seu comparsa Hans (Walken) raptam o animal de estimação de Charlie (Harrelson), um gangster mau como as cobras que faz tudo para recuperar o seu cão e coloca a dupla em apuros. O pobre Marty acaba por se ver metido no meio desta embrulhada, mas a experiência acaba por ser útil na escrita do seu argumento.

No fundo «Sete Psicopatas» entra naquele género de filmes que costuma ser designado de «filme dentro do filme». À medida que a acção avança vamos travando conhecimento com a história dos sete psicopatas que serão depois as personagens do argumento de Marty. E aqui há personagens para todos os gostos: reais ou imaginárias, sempre dentro do universo do filme de Martin McDonagh. O resultado final acaba por ser uma comédia negra, que aponta em todas as direcções, e irá agradar aos amantes deste tipo de humor. Mesmo que à partida o argumento possa parecer confuso (e com tantas reviravoltas e personagens a entrar e sair do ecrã havia esse enorme risco), «Sete Psicopatas» consegue chegar incólume ao final, com todas as pontas soltas a ganharem sentido até ao arranque dos créditos finais. E com excelentes interpretações, sobretudo as de Rockwell, Walken (como há muito não o víamos) e Harrelson, que fazem deste um dos melhores filmes a chegar às salas portuguesas em 2013. E atenção às inúmeras referências cinéfilas que vão surgindo ao longo do filme.

Classificação: 4/5

quarta-feira, 27 de março de 2013

501 sugestões de «filmes para consumir sem moderação»

Há algumas semanas atrás publiquei um post sobre listas a propósito da divulgação da lista anual do site «They Shoot Pictures, Don't They», que tem por hábito apresentar no início do ano a lista dos mil melhores filmes de sempre, com base nas escolhas de diversas fontes. Desta vez o destaque vai para uma outra lista, não criada por um site internacional, mas por um blogger português, autor do bastante recomendável «Num Filme de Godard». A partir da colecção da videoteca da Biblioteca Municipal da Póvoa de Varzim, composta por cerca de 3600 títulos em DVD, Daniel Curval escolheu 501 «filmes para consumir sem moderação», nas palavras do próprio. De A a Z (ou, se preferirem, de «(500) Dias com Verão» a «Zelig»), o guia «501 filmes para ver durante a vida» inclui filmes para todos os gostos e pode ser consultado neste link.

Duetos Cinéfilos #9



Música: Temptation (New Order)
Filme: Control (Anton Corbijn)